O segredo da memória de elefante

Com a chegada da época dos exames e avaliações escolares, os lamentos são habituais:

«Ah! Se eu tivesse mais capacidade de concentração!»

«Ah! Se eu tivesse mais memória!»

É neste contexto que, muitas vezes, os jovens encontram nos anúncios de televisão a solução para estas «limitações»: suplementos alimentares.

Prometem aumentar as capacidades cognitivas, mas também resolver problemas de cansaço, melhorar o sistema imunitário, resolver estados depressivos.

O problema é que não existem ensaios clínicos que confirmem que estes suplementos são eficazes naquilo a que se propõem. Jovens e pais acabam por cair na falácia de tentar «comprar» memória em caixinhas.

No entanto, um dos instrumentos mais acessíveis para maximizar as capacidades cognitivas, incluindo concentração e memória, parece continuar em segredo.

A atividade cerebral ocupa cerca de 20% da energia do nosso corpo através de atividades como a memória, atenção e concentração.

É essencial um enorme fluxo de combustível (glicose, oxigénio e hormonas) para otimizar a capacidade de funcionamento do cérebro: raciocínio, aprendizagem, memória e eliminação de resíduos tóxicos.

Assim, qualquer sessão prolongada de inatividade física que diminua a velocidade de «alimentação» cerebral pode levar a consequências cognitivas negativas.

Por exemplo, a inatividade física prolongada na infância tem sido associada à redução da memória de trabalho, atenção e aprendizagem. Como já diziam os antigos, «Uma mente só se pode manter sã num corpo são».

Portanto, o cérebro de um aluno não se mantém saudável de forma independentemente. É a conexão com um corpo saudável e em movimento que pode ajudar a melhorar o desempenho do cérebro.

A atividade física também é importante no desenvolvimento das estruturas cerebrais dos estudantes (células/neurónios).

O cérebro humano não está totalmente desenvolvido até a terceira década de vida, portanto, fazer com que jovens e crianças se movimentem mais pode ser uma estratégia académica poderosa.

Há cada vez mais evidência da relação positiva entre atividade física e melhoria da função cognitiva. Um dos primeiros estudos a comprovar este facto mostrou uma melhoria considerável das capacidades cognitivas dos alunos da escola primária apenas com base num programa de 20 minutos de caminhada diária. Estes alunos melhoraram consideravelmente os seus resultados académicos e melhoraram a sua capacidade de atenção.

As recomendações da OMS nesta área são muito objetivas. Crianças com idades entre 5 e 17 anos devem praticar 60 minutos de atividade física de moderada ou vigorosa, diariamente.

No entanto, em Portugal, a percentagem de jovens que cumpre estas recomendações é residual. O problema começa em casa e continua na escola.

Em casa, garantir que os mais pequenos sejam fisicamente ativos desde cedo pode determinar o seu futuro sucesso académico e profissional.

Na escola, se o Ministério da Educação está tão empenhado em melhorar o desempenho académico dos estudantes portugueses, porque será que a Educação Física ainda não é uma disciplina obrigatória todos os dias?