Em Cacém e S. Marcos muita gente mudou o voto e o PAN quase chegou aos 6%

Em Cacém e S. Marcos muita gente mudou o voto e o PAN quase chegou aos 6%
© Filipe Amorim / Global Imagens

Sintra é o concelho de Lisboa onde o PAN alcançou maior percentagem de votos. Atingiu o máximo na freguesia Cacém e S. Marcos – 5,80 %. Muita gente mudou o voto. Tal como fizeram Elisabete e Aurora.

Céu Neves

“Mudei, porque costumo votar em quem me parece melhor. Em cada eleição penso: ‘este merece o meu voto'”, diz Aurora Condeço, 70 anos, contabilista reformada. Mora no Cacém, junto ao Parque Linear D. Domingos Jardo, que tem um pequeno rio a separar a sua freguesia da de Agualva. Ao lado, é a estação de comboios.

“O parque foi uma grande melhoria para os animais, antigamente não havia nada onde pudéssemos passear os animais,” explica Maria José Reis, 72 anos, também ex-contabilista. Tem um gato, tem tido sempre animais ao longo da vida e de vários tipos, até um cágado.

Maria José não estranha a subida do PAN nas eleições legislativas (3,28%, elegendo quatro deputados, mais três do que teve na legislatura anterior). “As mentalidades estão a mudar e as pessoas gostam que os animais tenham condições. Hoje em dia, essas questões são mais faladas, não é o meu caso que toda a vida defendi os animais. A minha neta já me disse: ‘Avó, daqui a cinco anos posso votar e vou votar PAN’, explicou.

Em Cacém e S. Marcos muita gente mudou o voto e o PAN quase chegou aos 6 %
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O PAN obteve 5,80 % dos votos na União das Freguesias do Cacém e de S. Marcos, quase o dobro de 2015 (2,88 %). A subida não se deverá à campanha que fizeram junto na localidade pois os moradores não se lembram de ver carros e megafones do partido, dizem até que nem houve muita divulgação partidária em geral. E do PAN não se vêm cartazes.

Não foi preciso marketing e campanhas para Elisabete Luís, 56 anos, que confessa não ligar muito à política. “Votei PAN e foi a primeira vez que votei no partido, defendem o planeta e o planeta é tudo”, justifica.

Em Cacém e S. Marcos muita gente mudou o voto e o PAN quase chegou aos 6 %
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Acompanhada da sua cadela, a Auriel, está na loja “Quatro patas” a comprar-lhe comida. O negócio é um franchising, que conta 21 lojas no país. “O grupo está em expansão e, aqui, no Cacém, cada vez se vê mais pessoas com animais”, diz a funcionária Raquel Santos.

Nas estradas que atravessam as zonas habitacionais, muitos prédios e betão, são mais os cartazes e avisos a alertar para o bem-estar dos animais do que propaganda política. E há 15 dias abriu o Petcafé, na rua de Angola, que também tem serviço de banhos e de tosquias. Fecha à segunda-feira, um dia pós eleições naquelee que é considerado um dos bairros dormitórios de Lisboa. E onde durante a manhã muitos idosos, tal como outros habitantes que seguem apressados, preferem não falar.

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Aurora e Maria José estavam à conversa. Não revelam em quem votaram, dizem, apenas, que não votaram no PAN. “Ainda pensei nisso, mas acho que é nossa obrigação tratar bem os animais e a natureza, não é preciso aderir a um partido para tratar bem os animais“, justifica Aurora.

Tem um canário, mais nenhum animal de quatro patas desde que lhe morreu o cão. Vai adotando os gatos que lhe aparecem à porta, também os dos amigos, chega a fazer panelas de comida. E tem muitas histórias para contar: “Na noite do furacão, houve uma gatinha que me veio trazer o filho na boca, arranjei-lhes uma caminha e passaram a noite em minha casa. Achou que era a pessoa certa para a ajudar.”

Maria José aprecia o discurso de André Silva, no que diz respeito aos animais e ao ambiente, mas não chegou para mudar o seu voto, que há muitos anos é no mesmo partido. “Um partido não deve ser só animais e natureza, acho que tem de rodar mais”.

Aurora e Maria José vivem com os maridos, consideram-se pessoas de esquerda. Esquerda que viu aumentar substancialmente a sua votação na freguesia e à conta do PS (41,09 %) e do PAN (5,80 %). Com uma grande queda do PSD/CDS, de 27,38 % (2015) para 15,06 % (2019); sendo que o CDS obteve agora 2,98. O BE desceu de 14,74 % para 12,30 % e o PCP/Os Verdes de 11,25 % para 7,76%.