Encontros online? São estes os 6 erros mais comuns (a evitar a todo o custo)

Embora pareça sempre mais difícil olhar o outro nos olhos, encontros online acarretam uma boa dose de imprevistos e até de surpresas indesejadas. São boas razões para conhecer os erros mais frequentes – e saber evitá-los antes que possam dar asneira.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

FIXAR-SE NOS DETALHES

É certo que interessarmo-nos por alguém faz com que pareça essencial saber que séries o outro vê, se prefere sushi ou picanha, se vai à praia ou à piscina. Porém, mais do que centrar-se em detalhes na tentativa de divisar ali uma correspondência perfeita de interesses e gostos – não é isso que define uma boa relação –, convém antes saber as linhas gerais com que se cose, nomeadamente se o outro vive perto, faz voluntariado ou parece ser inteligente. Focar-se em minudências pode estar a fazê-lo passar ao lado de pessoas com perfis mais diversificados, mas que até poderiam fazê-lo mais feliz.

GUIAR-SE PELA FOTO

Não é mau, para começar, desde que depois não se torne obcecado apenas com isso e caia na patetice de escolher ou eliminar potenciais relações baseado apenas em aspetos triviais como ser louro, moreno, bonito ou outras características igualmente redutoras do valor daquela pessoa. «A tecnologia não é boa nem má em si mesma, tudo depende do uso que fazemos dela», ressalva Daniel Cardoso, doutor em Ciências da Comunicação na vertente de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias. Lá está: se não se comportaria assim na vida real, não o faça só por estar online.

PERDER-SE NAS VIRTUDES

Ou supostas virtudes, já que uma coisa é aquilo que o outro é, de facto, e outra bem diferente o que diz ser no perfil. «Sendo ferramentas que funcionam para promover o contacto imediato, assumimos por defeito que temos de comunicar instantaneamente nas redes sociais, sem grande reflexão e muitas vezes sem grande verdade», explica o sociólogo Gustavo Cardoso, professor de Media e Sociedade no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Nem se trata apenas de o outro poder estar mentir, mas de todos nós, de um modo geral, sermos pouco fiáveis no que toca a tecer autoconsiderações subjetivas.

NÃO LER NAS ENTRELINHAS

Que é como quem diz ser capaz de apreender aquele tom geral que nos permite ver para além do que a outra pessoa escreveu acerca de si própria no perfil e perceber se é equilibrada, agradável, sincera e coerente ou, pelo contrário, uma psicopata em potência. Lembra-se do que lhe dizíamos logo a abrir? Há informação mais importante a reter do que o facto de já terem lido o mesmo livro ou gostarem dos mesmos dois filmes.

FANTASIAR DEMASIADO

Por muito que aquela pessoa lhe pareça caída do céu virtual aos trambolhões, a corresponder ponto por ponto aos seus próprios gostos (assim o indica a informação de perfil), lembre-se que há aspetos apenas avaliáveis através da comunicação direta, presenciando as expressões do outro enquanto conversam, as suas inflexões de voz, a maneira como sorri. «No final, como em tudo na vida, ganha sempre mais a frontalidade de se falar cara a cara», sublinha a psicóloga Teresa Andrade, para quem nada na interação se compara às reações frontais.

LIGAR-SE RAPIDAMENTE

Querer alguém para amar é humano, tanto quanto a tentação de saltar a parte morosa de descobrir o outro antes de nos envolvermos a sério numa relação. «Mas atenção que esta dimensão das redes sociais é nova», alerta o sociólogo Gustavo Cardoso. «Ainda não sabemos lidar muito bem com ela, pelo que há toda uma aprendizagem a fazer nesse sentido.» Incluindo ter cuidado com as pressas e evitar o ímpeto de achar que já sabe tudo pelo que leu online, uma vez que relações sólidas levam sempre tempo a construir.