Enfermeira morreu depois de tomar suplemento alimentar comprado na internet

Enfermeira morreu depois de tomar suplemento alimentar comprado na internet
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Uma enfermeira de 28 anos, da região de Badajoz, em Espanha, sofreu uma intoxicação fatal por aparente dose excessiva de ácido alfa-lipoico. Depois de tomar o suplemento alimentar, a jovem foi correr e sentiu-se mal.

Texto de Filomena Naves

Quarta-feira 17 de julho. Era um dia como outro qualquer para a enfermeira espanhola, de 28 anos, e para o namorado. Nessa manhã, os dois saíram juntos para correr, em Don Benito, povoação na região de Badajoz, mas antes a jovem decidiu tomar um suplemento alimentar para emagrecer que tinha adquirido pela internet: ácido alfa-lipoico.

A substância otimiza os efeitos do exercício físico, ajudando a queimar gordura, e é de venda livre, enquanto suplemento alimentar. Por confusão, segundo o diário digital El Español, a jovem tomou uma dose excessiva do produto.

Foi ainda durante a corrida, ao lado do namorado, que a jovem se sentiu mal, mas o seu estado agravou-se rapidamente. Poucas horas depois deu entrada no hospital local em paragem cardiorrespiratória, e acabou por falecer 48 horas depois.

As informações médicas disponíveis apontam para uma falência dos órgãos vitais devido a uma intoxicação por excesso de ácido alfa-lipoico, segundo o El Español. Mas só os resultados da autópsia, que ainda não são conhecidos, esclarecerão completamente a situação.

O ácido alfa-lipoico existe de forma natural numa série de alimentos, como os brócolos, as batatas, os espinafres ou a carne vermelha, entre outros, e como afirma ao DN a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, “numa alimentação equilibrada, os alimentos propiciam todos os elementos necessários ao organismo”, sem haver necessidade de ingestão de suplementos alimentares.

Numa alimentação equilibrada, os alimentos propiciam todos os elementos necessários ao organismo e não há qualquer necessidade de tomar suplementos alimentares.

“Em condições normais, não há qualquer necessidade de tomar suplementos alimentares”, frisa a especialista, notando que, “em caso de carência de algum elemento, ou em caso de patologia, as situações têm de ser devidamente acompanhadas por um médico ou um nutricionista”.

Os suplementos alimentares, sublinha Alexandra Bento, “têm princípios ativos que interagem com os alimentos e com os medicamentos, que é necessário ter sempre em atenção”, para evitar problemas para a saúde.

Sendo, porém, os suplementos alimentares de venda livre, incluindo através da internet, as pessoas decidem muitas vezes tomá-los sem recorrer a conselho médico, o que pode representar um risco. No caso da jovem enfermeira espanhola, foi-lhe fatal, mas mesmo não chegando a esse ponto extremo, há casos anteriores conhecidos de intoxicação por toma indevida destes produtos.

O mais conhecido é, talvez, o do americano Jim McCants, cujo fígado entrou em falência três meses depois de ele ter começado a tomar um suplemento de chá verde em cápsulas, que tinha ouvido dizer que fortalecia o sistema cardiovascular. Salvou-se apenas porque foi submetido a um transplante hepático.

Um mercado em crescimento

“A questão dos suplementos alimentares requer um pensamento amplo, que abarque desde a autorização de entrada no mercado, por questões de segurança, aos locais de venda, e à própria atitude dos consumidores”, explica a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Em relação à autorização de entrada destes produtos no mercado, Alexandra Bento defende “um organismo específico, à semelhança do Infarmed, ou mesmo um departamento do Infarmed, para a sua avaliação e autorização”.

Atualmente é a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a autoridade competente nesta matéria, mas, para Alexandra Bento, essa não é melhor solução, já que “a DGVA tem muitas outras questões sob a sua alçada e, sendo os suplementos alimentares uma área em grande crescimento, e sensível do ponto de vista da segurança na saúde, deviam ter um organismo que só se ocupasse deles”.

Por outro lado, sublinha a especialista, “pelas mesmas questões de segurança, seria um bom princípio a venda destes produtos na farmácia, que é espaço especializado de saúde”.

Evitar erros trágicos com estes produtos, como o que acaba de suceder em Espanha, “passa também por fazer uma grande ação de alerta à população, explicando os riscos que se pode correr com estes suplementos sem o enquadramento de um médico ou um nutricionista, e esclarecendo que essencial é a alimentação, porque todos os elementos necessários ao organismo estão nos alimentos”, conclui Alexandra Bento.