À espera do príncipe encantado? Pura perda de tempo, diz a ciência

E quem diz o príncipe encantado diz a princesa de sonho, que aqui a (des)ilusão amorosa dá para os dois lados. Na dúvida sobre se algum dia irão surgir nas nossas vidas – ou sequer se existem –, o melhor é contentarmo-nos com quem for aparecendo entretanto.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Contos de fadas que se prezem metem heróis atrevidos que derrotam dragões, percorrem reinos com um sapato na mão e salvam princesas em apuros, o que os habilita a casamentos felizes que fazem que valha sempre a pena esperar pelo príncipe encantado ou pela mulher de todos os sonhos. O único problema, ao que parece, é o facto de toda e qualquer semelhança com a realidade ser pura coincidência.

Isso mesmo revela um estudo da Universidade do Estado de Michigan, EUA, publicado na revista Scientific Reports, pouco disposto a fiar-se nas histórias da carochinha que dizem que o par perfeito irá cair-nos, um dia, do céu aos trambolhões (nem montado num cavalo branco, quanto mais). É pura perda de tempo, avisam os cientistas.

Um indivíduo até pode esperar pelo parceiro ideal, mas corre o risco de ficar sem descendência.

«Um indivíduo até pode esperar para encontrar o parceiro ideal, mas corre o risco de a espera se tornar vazia e deixá-lo sem descendência», sublinha o professor de microbiologia e genética molecular Christoph Adami, um dos autores do estudo que se serviu de um modelo computacional, usando organismos digitais numa realidade virtual, para traçar os comportamentos de risco durante milhares de gerações evolutivas.

Ainda segundo o especialista em genética, esta é uma questão existencial que se coloca desde o início dos tempos, quando os primeiros hominídeos tiveram de decidir se arriscavam esperar por um parceiro melhor ou, pelo contrário, se contentavam com o que havia à mão no sentido de assegurar a sobrevivência da espécie.

Esperar pelo Sr. Perfeito Agora é melhor estratégia, do ponto de vista evolutivo, do que esperar pelo Sr. Absolutamente Perfeito.

«Eles tanto podiam escolher acasalar com o primeiro que lhes aparecesse, potencialmente inferior, como esperar por alguém com características mais interessantes para procriar», explica. Ter feito as contas a todas as variáveis e incertezas permite-lhe concluir que esperar pelo Sr. Perfeito Agora mostra ser uma estratégia melhor, do ponto de vista evolutivo, do que esperar pelo Sr. Absolutamente Perfeito (se é que existe).

«Quem muito escolhe nada tem», resume Adami. E sim, o mais certo é eles continuarem a deixar a tampa da sanita levantada – e elas a moerem-lhes a paciência por isso, sem quererem ouvir explicações.

E por falar no mito do príncipe encantado, descubra na nossa fotogaleria outros que convém rebater o quanto antes. Para ninguém sofrer desnecessariamente.