Está sempre a esquecer-se de coisas? Esta solução pode ajudar

Quantas vezes deixou passar um compromisso importante, esqueceu-se do pin do telemóvel, não sabe onde guardou as chaves de casa? Se é daquelas pessoas que está constantemente a esquecer-se de tudo, mesmo quando tomou nota de antemão, este artigo é para si.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

Uma nova pesquisa publicada no jornal Experimental Aging Research sugere uma forma mais eficaz para nos ajudar a lembrar não só dos momentos importantes mas das pequenas coisas do dia-a-dia: fazer desenhos.

Desenhar estimula o cérebro de forma diferente da escrita, uma vez que força-o a processar informação visual, traduzir o sentido de uma palavra para uma imagem e ligá-la a uma ação.

Melissa Code, doutorada em neurociência da Universidade de Waterloo no Canadá, diz à TIME que esta forma de organização «trabalha outras regiões do cérebro que não são trabalhadas quando só escrevemos. Usar esta técnica multifuncional beneficia a memória e o cérebro».

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Adultos tendem a beneficiar mais deste método. Num envelhecimento normal, ocorrem mudanças em partes do cérebro que envolvem o funcionamento da memória e o processamento da linguagem.

«Ao longo do tempo, não sofremos assim tantas alterações nas partes que envolvem o processamento sensorial de informação visual. Por isso, o desenho pode aproveitar-se desta zona relativamente bem preservada para estimular a memória», diz a especialista.

«Não importa verdadeiramente se temos jeito para o desenho ou não. Os benefícios estão lá», defende Myra Fernandes

48 pessoas, entre os 18 e 80 anos, participaram da pesquisa. Foi-lhes pedido para escreverem 15 palavras e para desenharem outras 15. De seguida, realizaram uma série de tarefas que em nada estavam relacionadas com a lista para tirarem o foco da experiência.

Após as tarefas estarem concluídas, o grupo teve apenas dois minutos para se lembrar do máximo de palavras possível. Como o esperado, as pessoas com idades mais avançadas recordavam menos do que os jovens.

No entanto, em todos os grupos etários os participantes lembraram mais palavras que tinham desenhado do que tinham escrito. «Não importa verdadeiramente se temos jeito para o desenho ou não. Os benefícios estão lá», defende a Myra Fernandes, professora de psicologia e coautora do estudo.

Este pode ser um caminho a ter em conta no tratamento de doenças degenerativas. Ainda que estes estudos ainda estejam em andamento e seja necessária mais pesquisa, as especialistas pensam que este é um caminho que vai beneficiar as pessoas que sofrem de demência.

Myra Fernandes sugere que «um diário de desenhos (em vez de texto) pode ajudar em muito a conservar na memória os detalhes dos acontecimentos da nossa vida».