Estratégias para falar de sexo com os seus filhos sem se atrapalhar

Por muito que este seja um assunto difícil de abordar, educar para a sexualidade não tem de ser um bicho-de-sete-cabeças.

Texto de Ana Pago | Fotografia Shutterstock

Linguagem não verbal

Há uma premissa que deve ter sempre em mente antes de iniciar qualquer conversa (e não só sobre sexualidade) com os miúdos: eles não são parvos. E vão perceber se está pouco à vontade a falar duma questão que se pretende que seja natural. Então se lhes mentir é que está mesmo tudo estragado.

Seja natural

Procure responder às dúvidas que o seu filho tiver sobre sexualidade como lhe responde às de Matemática, Português ou Estudo do Meio quando estão a fazer os TPC. Fale com naturalidade. Igualmente importante é fazê-lo sentir que pode – e deve – perguntar o que quiser, sem medo de ser reprimido nem de que se riam dele.

E objetivo

A informação que transmite deve sempre ser realista, correta, ajustada à idade e maturidade da criança, sem adiantar mais do que aquilo que pergunta. Sobretudo, não a castigue por querer saber: é meio caminho andado para fechar a porta a futuras conversa.

Preste atenção

Sabendo-se que em cada etapa do desenvolvimento as crianças vão descobrir novidades no corpo – os genitais para que servem, as diferenças entre meninos e meninas, o prazer de se tocarem, as alterações hormonais, o desejo sexual –, não apresse nada, mas não perca boas oportunidades de esclarecê-las se forem.

Não adie

Da mesma forma, também não é boa política deixar as respostas para mais tarde na esperança de que se esqueçam do que perguntaram. Pode adiar se a questão lhe for colocada no supermercado ou em casa da avó, que não serão os melhores locais do mundo para conversas delicadas. Mas é importante falar-lhes depois com honestidade.

Nomeie as coisas

Vergonha é roubar ou ser mal-intencionado com alguém. Nunca (mas nunca) a tenha por chamar as coisas pelos nomes: diga pénis, vagina, testículos, vulva e afins, tal como diz perna, braço, joelho ou nariz sem recorrer a terminologia alternativa – afinal pertence tudo ao mesmo corpo, nada é imoral.

Não invente

O mesmo em relação às metáforas, fábulas e outras histórias que os pais muitas vezes utilizam para não terem de explicar os factos da vida como eles são. Convenhamos que fazer a criança pensar que nasceu de um repolho como os que a mãe põe na sopa é, no mínimo, perturbado.

Facilite a comunicação

O que não falta no mercado são livros e outros materiais didáticos que ensinam os pais a darem um toque lúdico a conversas sérias que os irão apanhar, mais cedo ou mais tarde. Também encontra conteúdos úteis na Associação para o Planeamento da Família.