Não é fácil ser bonita (pelo menos no local de trabalho)

Leah Sheppard, investigadora da Washinton State University

Muitas mulheres invejadas pela sua beleza e que o resto do mundo pensa que têm a vida facilitada em todos os campos, do amor ao trabalho, talvez já o saibam. Mas um novo estudo da Washington State University vem mostrar que não são poucos os obstáculos que a beleza física ergue no percurso profissional das mulheres.

Texto DN Life | Fotografia de WSU

Afinal, parece que as portas não se abrem de par em par nem o percurso é facilitado às mulheres bonitas. Sobretudo se for do local de trabalho que falamos. De acordo com um estudo da Washington State University, as mulheres bonitas são, na realidade, consideradas menos verdadeiras, menos confiáveis e mais facilmente colocadas na lista negra quando se trata de despedir.

As investigadoras chamaram ao fenómeno «efeito mulher fatal», o que não deixa de ser irónico uma vez que é fatal, mas para as próprias e não para os outros. O epíteto foi no entanto escolhido porque designa uma mulher sedutora e manipuladora que consegue tudo o que quer e é esse preconceito que leva a que muitas vezes a beleza física seja uma desvantagem no mercado de trabalho.

«Mulheres altamente atraentes podem ser percebidas como perigosas», explicou Leah Sheppard, professora da W.S.U. Carson College of Business e uma das principais autoras de um artigo, à revista científica Sex Roles. «Isso é importante quando estão a ser avaliadas questões como o quanto confiamos nelas e se acreditamos que o que elas dizem é verdade.»

O mito da mulher fatal existe desde os tempos mais antigos, tanto na ficção como na realidade e muitas pagaram-no com a própria vida, nas fogueiras da Inquisição, só para dar um exemplo (na verdade, em alguns países e momentos da história, no passado e no presente, basta ser mulher, não é preciso ser bonita). Seja como for, apesar da luta pelos direitos das mulheres, pela igualdade de género e contra os estereótipos, parece que o efeito se mantém.

Sheppard refere à Sex Roles que existem «dois estereótipos contraditórios nesta matéria. O de que “o que é bonito é bom”, que significa, em geral, que as pessoas bonitas se saem melhor ao longo da vida», o que na opinião da investigadora corresponde geralmente à verdade». As nunces, diz ela, surgem quando se olha para o género. «No que diz respeito às mulheres, há determinados contextos em que elas parecem não beneficiar da sua beleza.»

Leah Sheppard, da W.S.U. e Stefanie Johnson, professora associada da Leeds School of Business da Universidade do Colorado realizaram seis pesquisas separadas para chegar às conclusões a que chegaram no seu estudo. Para estas foram usadas imagens retiradas de uma pesquisa no Google por “mulher profissional” que participantes do Mechanical Turk da Amazon, uma plataforma online de crowdsourcing, classificaram em termos de beleza física.

Sheppard vê no facto de as mulheres bonitas terem sido consideradas menos verdadeiras, menos confiáveis e mais facilmente colocadas na lista negra quando se trata de despedir uma explicação que junta fatores evolutivos e sociais.

Em termos evolutivos, as mulheres usaram sua atratividade para conseguir parceiros, daí que as outras mulheres olhem as mais atraentes como concorrência ou ameaça. Já os homens, apesar de se sentirem atraídos por mulheres bonitas, temem que a sua beleza os leve a serem infiéis, explicou a investigadora, esclarecendo que socialmente isso pode levar à desconfiança (e ciúme) de que a beleza pode ser usada no local de trabalho para obter vantagens, merecendo ou não. «Assim, tanto homens como mulheres podem achar isso injusto», disse Sheppard, «se não mesmo enganador».

Para a autora do estudo, estes estereótipos só poderão ser vencidos se as pessoas tomarem consciência deles, o que nem sempre é fácil, reconhece a investigadora. Injustamente ou não, o fardo manter-se-á então sobre as ombros das mulheres bonitas.

«A solução passará por elas, que deverão tentar ser mais transparentes», disse Sheppard. «Tratar-se-á de construir confiança”, disse ela. «Não é que não consigam, mas provavelmente para elas será um processo mais lento.»