Exercício é bom para a saúde mental. Mas só até certo ponto

Todos sabemos os benefícios de praticar exercício físico, tanto para o corpo como para a mente. A dedução lógica seria que quanto mais o fizéssemos, mais ganhos sentiríamos, certo? Pois bem, pode não ser assim, diz novo estudo.

Texto de Ana Patrícia Cardoso

A pergunta que temos de fazer é: quando se torna demasiado? Um novo estudo na revista Lancet Psychiatry, sugere que duas horas por semana de qualquer exercício físico já tem um impacte significativo.

Foram analisados os dados de mais de um milhão de adultos americanos entre 2011 e 2015. Todos responderam a perguntas sobre os tipos de exercício que faziam, estilo de vida, hábitos, historial de doenças mentais e quantos dias por mês se sentiam em baixo mentalmente.

Quem se exercitava moderadamente (cerca de 45 minutos por sessão) tinham melhores resultados a nível mental que aqueles que faziam verdadeiras maratonas no ginásio.

Em média, os inquiridos tinham 3.36 dias de saúde mental frágil por mês. No entanto, os que diziam fazer exercício – desde trabalho doméstico até corridas – tinham menos 1.5 «dias cinzentos» do que os sedentários.

A pesquisa notou, no entanto, um padrão curioso: aqueles que se exercitavam moderadamente (cerca de 45 minutos por sessão) tinham melhores resultados a nível mental que aqueles que faziam verdadeiras maratonas no ginásio.

Na mesma medida, fazer exercício de três a cinco vezes por semana foi mais associado a uma menos dias piores para a saúde mental do que ir mais do que cinco vezes ao ginásio ou não ir de todo. Em conclusão, exercitar-se entre duas a seis horas por semana pode ser o equilíbrio ideal para a saúde mental.

Não é preciso muito para se perceber como o exercício excessivo pode afetar a saúde mental. «As pessoas ficam obcecadas com exercício a ponto de irem até à exaustão», diz Adam Chekroud, professor da Universidade de Yale e coautor do estudo.

Dentro do espetro das atividades físicas, existem também algumas que são mais benéficas para a saúde mental que outras. Por exemplo, desportos em equipa estão no topo.

O exercício, quando moderado, tem efeitos muito positivos. Basta ver que, neste estudo, os indivíduos que tinham sido anteriormente diagnosticados com depressão, mas que faziam exercício, tinham menos 3.75 dias de má disposição mental do que os diagnosticados que não tinham qualquer atividade.

Dentro do espetro das atividades físicas, existem também algumas que são mais benéficas para a saúde mental que outras. Por exemplo, desportos em equipa estão no topo (com 22.3%) de exercícios que reduzem o cansaço mental, seguido de bicicleta (21.6%) e exercícios de aeróbica (20.1%).

Os exercícios de respiração e relaxamento, como o ioga ou o tai chi também foram considerados mais eficazes para a mente do que, por exemplo, simplesmente dar uma caminhada. No fundo, o que precisa de ter em conta é que o exercício faz bem à sua saúde mental. Mas sem abusos.