Demitido comandante que levou militares e um canhão para o golfe

a carregar vídeo

Exército está a averiguar eventual uso de material de guerra e de dinheiros públicos para fins particulares num torneio de golfe na Madeira. Estado-Maior-General tomará “as medidas consideradas adequadas”. (Notícia atualizada às 16:00, com o comandante demitido)

Manuel Carlos Freire

O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA)já deu posse ao novo comandante operacional da Madeira, contra-almirante Dores Aresta, numa cerimónia relâmpago em Lisboa após exonerar o major-general Carlos Perestrelo (Exército), disse fonte oficial ao DN.

A decisão do almirante Silva Ribeiro surgiu na sequência da publicação de um vídeo onde se via Carlos Perestrelo – embora como comandante da Zona Militar do Exército na Madeira – num campo de golfe onde militares fardados mostravam a vários jogadores como funciona uma peça de artilharia.

Dores Aresta desempenhava as funções de subchefe do Estado.-Maior do Comando Conjunto para as Operações Militares e chega ainda esta tarde ao Funchal, adiantou o porta-voz do EMGFA.

Por saber está a situação do major-general Carlos Perestrelo enquanto comandante da Zona Militar da Madeira, uma vez que o Exército abriu um processo de averiguações ao caso e conduzido por um tenente-general.

O agora antigo comandante operacional da Madeira e ainda da Zona Militar da Madeira (Exército), major-general Carlos Perestrelo, está a ser alvo de um inquérito urgente sobre o uso de uma peça de artilharia e de militares fardados num campo de golfe na zona oriental da ilha da Madeira.

O caso ocorreu há meses mas veio a público esta quarta-feira, através da publicação de um vídeo onde se vê o oficial general à civil (equipado para jogar golfe) junto de alguns civis a quem militares fardados explicam o funcionamento do canhão onde foi colocada uma munição de salva – que um desses civis depois dispara.

Em causa estão, entre outras possíveis questões, o eventual uso de material de guerra e de dinheiros públicos para fins particulares, assim como saber-se em que termos decorreu o transporte da peça de artilharia de uma unidade militar para o campo de golfe na zona oriental da ilha da Madeira e como foi decidido deslocar um equipamento de combate sem conhecimento do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).

“A prática do uso de peças de artilharia e de militares uniformizados em cerimonial para realizar salvas em torneios de golfe, não era do conhecimento do EMGFA”, de quem depende o Comando Operacional da Madeira, pelo que o caso está a ser analisado “com caráter de urgência” – e depois “serão tomadas as medidas consideradas adequadas”, confirmou esta quinta-feira fonte oficial ao DN.

Contudo, o processo de averiguações está a ser conduzido por um tenente-general do Exército porque o caso ocorreu no âmbito do ramo – o torneio de golfe foi organizado pela Zona Militar da Madeira.

Fonte oficial do Exército disse ao DN não haver comentários a fazer enquanto estiver a decorrer o processo de averiguações sobre o caso, noticiado quarta-feira pelo jornal Diário de Notícias da Madeira. No vídeo é possível ver-se, após o disparo do canhão, civis e carros de golfe a circularem por trás do militar que toca o clarim – estando ele e os restantes militares em sentido.

Esse processo de averiguações irá determinar o contexto em que o caso aconteceu, nomeadamente se no quadro de algum protocolo entre o Exército e os responsáveis do campo de golfe, assim como (diretiva, ordem de operações) foi determinado movimentar a peça de artilharia para o exterior do quartel e militares fardados do Regimento de Guarnição da Madeira (Infantaria e Artilharia).