Experimentador: o dia em que eu voei

salto tandem

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

Foram duas semanas a sonhar que voava: de repente perdia peso, começava a erguer-me no ar e flutuava em círculos num céu azul, a subir sempre. Nunca cheguei a perceber como descia, ou sequer se descia.

Só sei que o sonho ficou a marinar cá dentro porque numa noite de copos (culpa da sangria) avisei que ia fazer um salto tandem – a variante do paraquedismo em que o novato se lança com um instrutor às costas para garantir que os ossos são iguais na descolagem e na aterragem.

Óbvio que me arrependi mal ouvi as palavras saírem-me da boca, mas lá fui a Évora saltar com a Queda Livre, convicta de que seria um dos momentos cruciais na minha vida. E foi.

Antes do salto, são 20 minutos sempre a subir num aviãozinho teco-teco, cheios de nervos.

O macacão que nos dão para vestirmos faz-nos sentir o Maverick do Top Gun – Ases Indomáveis quando o Tom Cruise ainda era novo e magro. Apresentam-nos o paraquedista que há de amarrar-se a nós durante o voo – 20 minutos sempre a subir num aviãozinho teco-teco, cheios de nervos – para abrir o paraquedas na hora H (há um segundo de reserva).

Ensinam-nos a sentar à beira da porta antes do impulso para sair (ninguém quer ficar ali preso) e a aterrar suavemente no final. Até sublinham que não há mal se vomitarmos sobre o instrutor, acontece ao mais valente.

O importante na experiência é desfrutar da adrenalina pura e da liberdade de se voar em queda livre a 220 km/hora.

O importante na experiência, dizem, é desfrutar da adrenalina pura e da liberdade de se voar em queda livre a 220 km/hora, o mais perto que alguma vez estaremos dos pássaros.

A espera enche-nos de chiliques. As mãos tremem de ansiedade. Mas então saltamos no vazio a 4200 metros de altitude, sem peso, a flutuar no céu azul como no sonho, e é como se nos tivéssemos preparado desde sempre para aquele momento irreal, com o vento nos ouvidos, a salvo das atribulações da vida ou da morte.

No ar somos graciosos, capazes do impossível. A autoestima dispara para níveis estratosféricos ao percebermos que vencemos o medo. Acredite ou não, voltar a pôr os pés no chão é a parte mais difícil.

Quer experimentar?

A jornalista fez o salto tandem com a escola de paraquedismo Queda Livre porque conhecia o base jumper Mário Pardo de uma anterior reportagem sobre atividades radicais e tinha essa boa referência. Informações: 93 880 13 45 / livre@quedalivre.pt.