«Faz bem ou faz mal?»: O livro que pretende quebrar alguns dos maiores mitos da saúde

Nina Shapiro, cirurgiã da Harvard Medical School, editou um livro sobre as verdades e os mitos em torno da saúde, exercício físico e alimentação. Nele são identificadas as principais dúvidas e desvendadas as verdadeiras conclusões nestas matérias. A DN Life analisou o capítulo «Saber distinguir os riscos reais dos potenciais».

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

Sabe qual é a principal causa de morte antes dos 44 anos? A cirurgiã Nina Shapiro explica algumas das principais dúvidas relacionadas com saúde, fitness e bem-estar na sua mais recente publicação, Faz Bem ou Faz Mal? [ed. Clube do Autor].

No capítulo «Saber distinguir os riscos reais dos potenciais», a médica formada na Harvard Medical School indica quais as principais causas de morte antes dos 44 anos nos Estados Unidos da América:

  • No primeiro ano de vida, as principais causas de morte são as anomalias congénitas, seguidos pelos nascimentos prematuros, SMS [síndrome de morte súbita infantil], complicações maternas na gravidez e «lesões não intencionais»;
  • Entre um e cinco anos, o maior risco de morte decorre de acidentes (seguidos pelas anomalias congénitas);
  • Dos seis aos 14 anos, a taxa de mortalidade mais alta deve-se a acidentes (seguidos pelo cancro);
  • Entre os 15 e os 20 anos, são os acidentes (seguidos pelo homicídio);
  • Dos 21 aos 30 anos, são os acidentes (seguidos pelo suicídio);
  • Entre os 31 e os 44 anos, são os acidentes (seguidos pelo cancro);
  • Quer com isto explicar a médica-cirurgiã que «a principal causa de morte

Quer com isto explicar a médica-cirurgiã que «a principal causa de morte entre um e os 44 anos são os acidentes». «A mensagem a reter pelo grupo com menos de 45 anos é: ter cuidado. Conduzir em segurança. Usar capacete para andar de bicicleta […]. Depois disso, há que começar a preocupar-se com a saúde», acrescenta.

No entanto, diz a mesma, esta não é uma tarefa assim tão linear, porque «ter saúde a longo prazo e longevidade» depende de fatores que dependem somente de nós, mas há outros que estão «fora do nosso controlo», tais como «características genéticas, a cidade onde vivemos, o trabalho e o nosso estado civil».

«Faz bem ou Faz Mal?», de Nina Shapiro [Edição Clube do Autor]
«No meu bairro, vejo crianças em ruas movimentadas a aprender a andar de bicicleta sem capacete, mas os pais dão-lhes apenas alimentos biológicos e limitam-lhes o tempo que passam frente a um ecrã. A perceção errada de risco é clara. A noção de saúde e segurança foca-se em marcas e tendências, não no risco e no perigo reais», diz Nina Shapiro.

Para desvendar um dos mitos em relação ao que nos faz mal, Shapiro lança a questão: «o que têm o ébola e o seu carro em comum?». A resposta pode não parecer óbvia, mas é: «ambos podem matá-lo. Mas um pode influenciar mais o seu fim do que o outro. Mesmo se viajasse para uma zona afetada por um surto de ébola, as hipóteses de contrair o vírus continuariam a ser menores do que as de morrer num acidente de viação. Aperte o cinto e suspire de alívio», escreve a cirurgiã.

«O aspeto excitante no que se refere à saúde é que estamos continuamente a aprender aquilo que o corpo humano é capaz e aquilo que é incapaz de suportar»

Existem mais ideologias erradas sobre a temática. Shapiro enumera alguns: «quando as pessoas se preocupam com os riscos inerentes a determinado procedimentos, tratamento ou cirurgia, falham frequentemente na avaliação dos potenciais riscos de não fazer nada, podendo revelar-se a opção de maior risco», «os nossos genes indicam os nossos riscos de saúde, mas o ambiente e as opções (exemplo: fumar ou não) falam mais alto».

Mas o que fazer, afinal, para não ter problemas de saúde e conseguir uma vida longínqua? Possivelmente, o «poder da escolha individual». «Não existe o melhor exercício, a melhor engenhoca, a melhor dieta, o melhor suplemento, o melhor teste de diagnóstico, a melhor bebida, o melhor creme para a pele ou a melhor decisão médica. Não existe a composição genética perfeita. Todos os caminhos pelos quais enveredamos têm múltiplas bifurcações», esclarece a médica.

E remata, no seu livro: «o aspeto excitante no que se refere à saúde é que estamos continuamente a aprender aquilo que o corpo humano é capaz e aquilo que é incapaz de suportar».


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