Filho, quanto custa o teu amor?

Esta pergunta, formulada de uma forma tão explícita e directa, activa em nós sentimentos negativos. Então, mas o amor tem um preço? Está à venda? Pior, o amor de um filho pode ser comprado?

Pois é, a realidade mostra-nos que sim. Muitos pais, dilacerados pela culpa da ausência, da falta de tempo e de disponibilidade emocional, pela vulnerabilidade e pelo medo da rejeição, tentam de formas diversas comprar o amor dos filhos. Não se trata de uma troca directa, “toma lá 20 euros, dá cá um abraço”, mas não anda muito longe disso.

Vivemos numa sociedade extremamente consumista, mais centrada no que se tem do que naquilo que se é. E, neste contexto, tudo à nossa volta nos impele a comprar, a adquirir, a mostrar. As crianças e os jovens são, por excelência, um alvo muito apetecido das campanhas de marketing, impelindo-os a pedir (e, às vezes, a exigir) mais e mais. As roupas de marca, os videojogos, os telemóveis de última geração, os computadores XPTO, as viagens, as saídas com os amigos, etc, etc… e perante tantos pedidos e exigências, muitos são os pais que cedem. Cedem porque entendem que a frustração é algo negativo para o desenvolvimento infantil. Cedem porque receiam que os seus filhos sejam excluídos pelos amigos se não tiverem as mesmas coisas. Cedem porque não conseguem dizer “não” e ser firmes. E cedem, também, porque sentem medo. Medo de não serem amados. Medo de que os filhos os rejeitem. Medo de que os filhos possam um dia dizer que preferem o outro progenitor porque este lhes dá mais coisas. E assim, os bens materiais surgem como a solução perfeita para o problema.

Mas comprar o amor dos filhos tem consequências, e todas elas negativas. Senão vejamos.

 

Por isso, é preciso educar as nossas crianças para o altruísmo e a empatia, envolvendo-as em acções de voluntariado e de ajuda ao próximo.

Ao perceberem que podem vender o seu afecto e atenção, as crianças usam o amor como moeda de troca e aprendem que, na vida, tudo pode ser comprado. O nível de exigência aumenta de forma progressiva e tornam-se mestres na arte da manipulação. Cobram para estudar, para colaborar nas tarefas domésticas e mesmo para ajudar o outro. Ao mesmo tempo, desvalorizam os afectos genuínos e desinteressados, aqueles que realmente têm mais valor. Crescem acreditando que o espaço em branco poderá ser preenchido com coisas. Porque é através do ter, e não do ser, que se alcança o amor. Ter muitas coisas = a ser fixe e amado.

Por isso, é preciso educar as nossas crianças para o altruísmo e a empatia, envolvendo-as em acções de voluntariado e de ajuda ao próximo. Ensiná-las a partilhar, a abdicar e a valorizar aquilo que é realmente essencial. Ajudá-las a tolerar a frustração e a adiar o prazer. A saber esperar. A dar e a receber afecto sem qualquer tipo de contrapartida que não seja essa mesma, o afecto.

Porque a atenção não tem preço. A capacidade de ajuda não tem preço. O amor não tem preço.