Filhos superprotegidos? Podem tornar-se adultos inseguros e sem autonomia

São vários os mecanismos que os pais podem (e devem) reforçar para que os seus filhos cresçam felizes, autónomos e confiantes.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

Na altura do nascimento de uma criança há pelo menos uma pessoa que tem de assegurar aquilo que são as suas necessidades básicas, tais como a alimentação, o carinho, a proteção e abrigo. Esta dependência inicial, resultante da imaturidade da criança, é uma questão de sobrevivência.

No entanto, uma das grandes preocupações dos pais, a certa altura, é que os seus filhos se tornem independentes. Independência que, de acordo com o psicólogo espanhol Rafael Guerrero, nunca chega a existir.

«Em muitas ocasiões ouvimos frases como “quero que meu filho seja independente”. O problema é que o ser humano nunca se torna independente. O que fazemos é converter a dependência típica da infância em autonomia emocional»

«Nunca nos tornamos independentes quando se trata de regular as emoções. Em muitas ocasiões ouvimos frases como “quero que meu filho seja independente”. O problema é que o ser humano nunca se torna independente. O que fazemos é converter a dependência típica da infância em autonomia emocional», escreve o especialista, num artigo no El País.

Explica o psicólogo que a função dos pais é cobrir as diferentes necessidades dos filhos e, consoante o modo e a quantidade das necessidades cumpridas, os filhos tornam-se mais seguros, resilientes ou o oposto. Diferente de tudo isto é satisfazer os caprichos e desejos das crianças, como comprar um telemóvel, fazer uma viagem ou dar-lhe doces. Estas são funções «complementares, não representam qualquer necessidade. A sobrevivência não está em jogo na satisfação destes desejos», diz.

Feita a distinção, se o objetivo é ter filhos adultos com boa autoestima e seguros de si, o ideal é que sejam tratados com amor, compreendidos e protegidos. «A grande maioria dos adultos tem baixa autoestima porque tinham pais e professores que não estiveram presentes como deveriam».

As crianças precisam que sejam satisfeitas as suas necessidades, como a alimentação, o carinho, a proteção e abrigo.

Mas como torná-los pessoas confiantes? «O essencial, antes de mais, é um relacionamento correto, que implica conceder-lhes contextos de segurança. Não podemos esquecer que o ser humano quando nasce é imaturo e, portanto, precisa de proteção», diz.

Depois trata-se de trabalhar a autonomia da criança, que «implica permitir que os filhos sejam curiosos e explorem o ambiente em que se desenvolvem».

Ainda assim, por vezes os pais passam os seus próprios medos e inseguranças para as suas crias e não permitem que desenvolvam a parte da autonomia. Tornam-se, muitas vezes, superprotegidas.

É devido a este problema que o psicólogo espanhol enumerou onze passos que visam reforçar a autonomia, confiança e autoestima dos filhos. Veja na fotogaleria em cima quais são os detalhes a que deve estar atento.


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