
Miguel Dias, um dos membros fundadores do Livre, diz que deixou de se rever na forma como o partido faz política.
Um dos membros fundadores do Livre, Miguel Dias, anunciou na rede social Twitter que vai deixar o partido, uma decisão que não se deve a divergências ideológicas, mas a “uma questão de forma e de postura política”, na qual diz ter deixado de se rever.
“Não foi uma decisão fácil nem leviana. É emocionalmente complexa a decisão de abandonar o LIVRE, partido que ajudei a fundar e ao qual dediquei seis anos da minha vida. As razões para a minha saída foram explicadas internamente”, escreveu Miguel Dias numa das mensagens, esta terça-feira, em que anuncia que deixa o Livre.
Não foi uma decisão fácil nem leviana. É emocionalmente complexa a decisão de abandonar o LIVRE, partido que ajudei a fundar e ao qual dediquei 6 anos da minha vida. As razões para a minha saída foram explicadas internamente.
— Miguel Dias (@NovoCapitulo) November 26, 2019
O também candidato pelo círculo de Setúbal, nas últimas eleições legislativas, explica que as razões da saída “não estão relacionadas com o conteúdo”, até porque os seus “valores ideológicos e as ideias politicas continuam a condizer em larga medida com o defendido pelo partido”. Devem-se antes a uma “questão de forma e de postura política na qual não me revejo”, escreve Miguel Dias, que diz ainda: “Hoje é um dia triste para mim. E equacionei se deveria tornar pública esta minha decisão. Mas por saber que muitos e muitas de vocês me ligam ao LIVRE achei importante fazer este anúncio”.
A decisão de Miguel Dias é anunciada numa altura em que a deputada única do partido, Joacine Katar Moreira, tem estado envolvido em sucessivas polémicas, nomeadamente com a própria direção do Livre, depois da abstenção da deputada num voto de condenação à ação militar de Israel na Faixa de Gaza, que deu início a uma troca de acusações entre as duas partes.

Já depois disso, a deputada única do Livre entregou o projeto de lei que altera a lei da nacionalidade fora dos prazos que permitiriam a discussão da proposta a 11 de dezembro, dia em que estarão a debate os textos do Bloco de Esquerda, PCP e PAN sobre a mesma matéria.
Esta terça-feira a deputada protagonizou um episódio insólito na Assembleia da República, com o assessor a solicitar a escolta de um elemento da GNR para evitar que os jornalistas pudessem fazer perguntas a Joacine Katar Moreira.