Furhat, o robô que cria empatia e quer saber como vamos de saúde

Foi apresentado na Web Summit, em Lisboa, como rival de Sofia, a robô mais conhecida do mundo, e agora, em Estocolmo, foi dado a conhecer, pela Merck e a Furhat Robotics, como potencial conselheiro na área da saúde.
Texto e Fotografia de Reuters*

Furhat pode ser do género feminino ou masculino, movimenta a cabeça, sorri, transmite empatia, é caloroso e encoraja-nos a abrir o coração. O robô, um busto tridimensional com a projeção de um rosto humano, pretende desenvolver a nossa recém-descoberta capacidade de falar com robôs, como os assistentes de voz Siri e Alexa, persuadindo-nos a interagir com ele como se fosse uma pessoa, pegando nas nossas «deixas» para criar uma relação.

Precisamente por não ser humano e ser por isso livre de preconceitos e juízos de valor, o robô pode ajudar as pessoas a relacionarem-se com mais honestidade, diz o seu criador à Reuters, tornando-o útil em situações de triagem de riscos de saúde, em que as pessoas costumam mentir.

«Há pesquisas que mostram que em determinadas situações as pessoas sentem-se mais confortáveis em expor-se e falar sobre problemas difíceis com um robô do que com um humano», disse à Reuters Samer Al Moubayed, executivo-chefe da Furhat Robotics.
Isto porque a «personalidade» de um robô pode ser o reflexo da personalidade da pessoa que interage com ele e por isso esta não se sentirá julgada, acrescentou.

O Furhat tem sido utilizado no aeroporto de Frankfurt como concierge multilingue, esclarecendo dúvidas aos passageiros e orientando-os, mas também no treino dos funcionários do atendimento ao cliente – simulando clientes furiosos, por exemplo.

A empresa de ciência e tecnologia Merck e a Furhat Robotics apresentaram este robô em Estocolmo, numa versão virada para a saúde: fará perguntas às pessoas sobre o seu estilo de vida e a sua saúde, e examiná-las-á no sentido de apurar o risco de diabetes, alcoolismo ou hipotiroidismo. Se necessário, o robô aconselhá-los-á a fazer um exame de sangue ou a consultar um médico.

«Cada robô precisa de uma personalidade diferente, dependendo do trabalho que vai fazer», explicou Moubayed. Furhat pode, pois, ser homem ou mulher, velho ou jovem, sério ou divertido.

«Uma das barreiras que os robôs têm tido prende-se com a expressividade – serem capazes de se mover como nós, (com) movimentos faciais muito suaves e muito expressivos, movimentos dos olhos, movimentos da cabeça. É isso que estamos a ultrapassar», disse Moubayed.

*Reportagem de Stuart McDill | Escrita por Alexandra Hudson | Edição de Robin Pomeroy/Reuters

Leia também

Implante no cérebro põe pessoas com paralisia a comunicar através de tablets