Gatoterapia: que poder é este que os gatos têm?

São macios, voluntariosos e brincalhões, capazes de derreter o coração mais empedernido. Os donos juram a pés juntos que não os trocariam por nenhum outro animal. Gatos fazem bem à saúde, à autoestima, a tudo.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Beatriz Silva, de sete anos, dava sem hesitar a sua coleção de Minnies se tivesse de escolher entre elas e o gato. “Fomos buscar o Kiko com três meses a uma ninhada em risco, tinha a Bia dois anos, e foi amor à primeira vista entre os dois”, conta Marina Silva, a mãe, encantada com a forma como o bicho deixa a pequena fazer dele gato-sapato (incluindo dar-lhe banhos no alguidar das tartarugas).

“Ninguém fica muito tempo triste quando o Kiko vem receber à porta e encosta aquela carinha boa à nossa”, admite a dona, que entretanto salienta o maior feito do gato: ter posto a filha a ler livros inteiros porque queria que ele soubesse as mesmas histórias que lhe contavam a ela. “Ajudou-a bem mais do que nós a articular a fala e a ser mais participativa na turma”, diz. Já para não falar da proeza de os manter a todos calmos.

Gatos são facilitadores sociais para os donos, que se tornam menos isolados, mais exercitados e menos ansiosos.

Isto porque os efeitos terapêuticos dos gatos vão muito além de serem fofos e deixarem que lhes passem a mão no pelo. “São facilitadores sociais para os donos, que se tornam menos isolados, mais exercitados e menos ansiosos”, enumera o veterinário Joaquim Henriques, diretor clínico do Hospital Veterinário Berna. Pessoas que aprendem a cuidar de gatos irão facilmente tratar melhor também os seus semelhantes.

Uma pesquisa realizada pela investigadora americana Leslie A. Lyons, especialista em genética veterinária, indica que o som que os gatos fazem ao ronronar potencia a capacidade de cura em ossos e músculos humanos, já que a frequência de vibrações (entre 25 e 150 hertz) é regeneradora ao nível celular.

Em crianças com problemas de socialização ou aprendizagem, ler e falar para gatos ajuda a desenvolver a confiança.

“Em crianças com problemas de socialização ou aprendizagem, ler e falar para gatos ajuda a desenvolver a confiança, por serem atentos e não fazerem juízos de valor”, aponta ainda o veterinário comportamentalista Gonçalo da Graça Pereira, fundador e diretor científico do Centro Para o Conhecimento Animal. “Estamos a pender cada vez mais para um conceito de família multiespécie.”

Segundo um estudo publicado na revista médica Pediatrics, o contacto de bebés com gatos no primeiro ano de vida reforça o sistema imunológico, em especial no que diz respeito a doenças respiratórias. Um outro estudo divulgado pela Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia sugere que crianças de ambientes urbanos mais expostas a gatos revelam menos probabilidade de vir a desenvolver alergias.

O simples ato de escovar um gato ajuda a diminuir a pressão arterial e a relaxar, ao libertar endorfinas no organismo.

Sem esquecer que ver os gatos em correrias loucas pela casa é do melhor que pode haver após um dia de trabalho intenso, sublinha o veterinário Joaquim Henriques, ele próprio tutor de dois sem os quais não se imagina a viver: “Está provado que o simples ato de escová-los ajuda a diminuir a pressão arterial e a relaxar, ao libertar endorfinas no organismo, e conseguem ser a melhor das companhias apesar do seu feitio independente.” Por alguma razão os antigos egípcios os veneravam como deuses, realça.

E que dizer, por fim, dos mundialmente famosos vídeos de gatos de que ninguém se cansa? Uma pesquisa da Universidade de Indiana em Bloomington, EUA, envolvendo mais de sete mil pessoas, concluiu que vê-los desencadeia emoções positivas, aumenta a energia e reduz sentimentos de pesar. Sendo assim, se for apanhado pelo chefe a derreter-se com gatinhos amorosos na internet, pode sempre alegar que saiu ansioso da reunião e não queria que os nervos interferissem com o seu trabalho.