Glossofobia: 6 passos para acabar de vez com esse medo de falar em público

Não, ninguém aqui lhe vai prometer que é fácil. Quando o próprio nome do mal mais parece um palavrão – glossofobia – e afeta 75 por cento das pessoas, a cura terá forçosamente muito que se lhe diga. Mas é possível.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

ENFRENTE

Segundo os especialistas na matéria, não há como o tratamento de choque para dar cabo da glossofobia antes que seja ela a tratar-nos da saúde a nós. «Se tenho pânico de falar em público e não o faço, isso gera ainda mais ansiedade e tensão, o que só reforça o medo», explicou ao El País o psicólogo espanhol Guillermo Fouce, apontando como causas uma possível humilhação (ou várias) na infância, episódios de bullying e dificuldades de comunicação, vividos na primeira pessoa ou por alguém próximo. Então mais vale enfrentar. É natural que sinta que vai morrer de palpitações numa primeira fase, ressalva Fouce, «mas depois a pessoa comprova que se saiu bem, ninguém se riu dela». E a superação acontece.

PREPARE

Quanto mais organizado for a decidir o que quer dizer àquele público e como – quais os tópicos principais, por que ordem vai apresentá-los, a que adereços ou recursos tecnológicos tenciona recorrer, durante quanto tempo –, menos nervoso se irá sentir na hora H. Prepare bem os materiais e familiarize-se com todos eles. Se tiver oportunidade, visite o local para o ajudar a imaginar melhor o momento em que estará finalmente ali a fazer a sua apresentação. Peça ainda a um amigo que o ouça e lhe dê algum feedback quanto à dinâmica do discurso, clareza da informação e outras arestas que precisem eventualmente de ser limadas.

TREINE

Depois disso, saiba que se os ensaios funcionam para os atores também vão funcionar para si, o que implica treinar até estar confortável com aquilo que dirá e a ideia de ter uma audiência alargada a assistir. Com alguma antecedência face ao evento, reserve pelo menos 15 a 20 minutos todos os dias para praticar a exposição, a voz, a entoação, a postura, os gestos – a linguagem corporal é tão importante quanto o próprio tema de que se fala. Com a vantagem de que assim vai memorizando a apresentação, melhorando a confiança e ficando mais natural à medida que o cérebro se habitua a ela.

DESCONTRAIA

Pode sentar-se com as pernas à chinês e respirar fundo. Pode recorrer a qualquer técnica que lhe passe pela cabeça além da meditação transcendental, desde que o impeça de ceder aos nervos e admitir, por um segundo sequer, que está a morrer de medo de enfrentar o público. O nosso cérebro acredita no que quisermos que ele acredite, por isso certifique-se de que lhe passa a mensagem positiva de que vai conseguir falar. Melhor ainda: será brilhante ao fazê-lo.

FOQUE

Pode ser um ponto imaginário na parede do fundo ou uma pessoa na plateia que lhe inspire segurança: o truque, dizem os especialistas, é fixar o olhar num ponto específico que lhe permita ir canalizando a ansiedade enquanto fala, até começar a sentir-se naturalmente descontraído. Pense ainda que fez tudo ao seu alcance para fazer daquela exposição um sucesso, pelo que não só não há razões para correr mal, como o facto de sair da sua zona de conforto fará sobressair um potencial que nem supunha que tinha até agora.

VISUALIZE

Chegado o grande dia vai dominar esses medos, fazer uma apresentação maravilhosa e receber os aplausos merecidos do público, afinal de contas superou a prova. Nunca aceite que não é capaz do que quer que seja, porque é, capaz de tudo. E tendo feito o máximo ao seu alcance o melhor que sabia (ninguém nos pode exigir mais do que isso em nenhuma circunstância), prenda-se à convicção de que será um sucesso e não ao que os outros possam pensar de si.