Há erros de moda que podem matar relações (e que deve evitar no primeiro encontro)

primeiro encontro

Uma pesquisa recente indica que, faça o que fizer, nunca use uma camisa amarrotada no primeiro encontro, a bem do futuro das relações. E sandálias com meias, então, nem pensar nisso é bom.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

É um erro crasso julgar alguém pelas aparências, não pela essência. Só se vê bem com o coração e o essencial é invisível para os olhos, já diziam o Principezinho e a Bíblia, reforçando a ideia de que a roupa não veste o caráter. Mas a verdade é que ajuda – e muito. Erros de moda podem matar uma relação logo no primeiro encontro, por mais gémeas que sejam as almas.

Quem o diz é uma pesquisa recente levada a cabo pela Zoosk, uma plataforma (e aplicativo) de encontros online de peso, que liga 40 milhões de pessoas solteiras em todo o mundo e estima um fluxo de três milhões de mensagens enviadas diariamente. Primeiras impressões podem vir a dar em tudo ou nada, dependendo de o estilo agradar ou nem por isso.

Maioria dos inquiridos diz ser essencial que o homem ou mulher se vista de forma agradável e cuidada no primeiro encontro.

Os números, bastante redondos, falam por si: 86 por cento dos inquiridos afirmam ser essencial que o homem ou a mulher com quem saem se vista de forma agradável no primeiro encontro, a indicar algum cuidado. Para 94 por cento das mulheres, sem esse fator determinante nem sequer ponderam a hipótese de haver segundo encontro, quanto mais um relacionamento íntimo para a vida.

E é assim que chegamos ao género desportivo (mas um desportivo impecável) como a escolha ideal, a avaliar pelas respostas dos 6 646 utilizadores da Zoosk. A estas juntaram-se ainda análises aprofundadas de mais 34 579 perfis, que ajudaram a tirar teimas quanto ao que melhor funciona para impressionar o outro.

«Compor um look é falar sem palavras», confirma Raquel Guimarães, diretora da Fashion School no Porto. Pesquisas indicam que 30 segundos bastam para formarmos uma impressão do outro, com a escolha do corte, estilo e cores a gerar influência. «Daí devermos vestir-nos para nós e os outros em simultâneo, tal como adequamos o discurso às diferentes pessoas com quem nos cruzamos», diz.

Se não conseguir pôr o look de quem saiu do ginásio, roupa de trabalho também é atraente para 69 por cento dos inquiridos.

Se acontecer não ter tempo de pôr o ar sexy de quem saiu do ginásio, saiba que as roupas de trabalho também são atraentes para 69 por cento dos inquiridos (é da maneira que estará naturalmente apresentável, sem grandes produções). Entretanto vá acrescentando ao seu perfil o quanto se interessa por marcas, estilistas e tendências da moda, já que só isso aumenta até 135 por cento o número de mensagens recebidas.

De resto, é deixar-se guiar pelo bom senso, tanto quanto pelo bom gosto: nem pensar em usar coisas por passar a ferro (66 por cento dos entrevistados odeiam ver o outro amarfanhado). Sandálias com meias ou crocs, idem (mais de 50 por cento garantem que lhes mata o desejo na hora). Outras peças a evitar são cuecas da avó, camisolas justas que evidenciam os refegos ou roupa larga estilo saco do pão.

Anos de estudos comprovam-no para lá de qualquer dúvida: sentirmo-nos bem no próprio corpo molda a mente, que por sua vez atua ao nível da autoestima, da autoconfiança, de uma melhor performance e de alterações na química corporal.

Sentirmo-nos bem no próprio corpo afeta o modo como pensamos, sentimos e nos comportamos – e os outros connosco.

«Muda o que acontece dentro do nosso sistema endócrino e do sistema nervoso autónomo», garante a psicóloga social norte-americana Amy Cuddy, investigadora de Harvard e autora do best-seller O Poder da Presença. É uma relação tão direta que afeta nitidamente o modo como pensamos, sentimos e nos comportamos – e os outros connosco.

«Estamos sempre a passar mensagens à nossa volta sem que tenhamos consciência disso», sublinha Raquel Guimarães, especialista em imagem. O mais difícil em todo este processo comunicacional acaba por ser fazer coincidir o que queremos transmitir de nós mesmos com aquilo que o mundo lê, efetivamente, sobre a nossa pessoa.

«Todos os dias projetamos uma imagem nossa, com essa comunicação não-verbal a incluir o vestuário, a atitude, a linguagem corporal e microexpressões, tudo integrado», acrescenta.