Há quem não goste de abraços. Não sabe o que está a perder

Para algumas pessoas, a ideia de abraçar alguém é um sacrifício. Pode parecer estranho, mas é verdade. Esta repulsa tem explicação.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de iStock

A resposta está na infância. Segundo um estudo realizado por psicólogos suecos, crianças que tenham uma família em que sempre existiu contacto físico e afetuoso têm mais tendência a ser adultos que gostam de abraçar.

A psicóloga Ares Anfruns afirma ao El Pais que «se tivemos um crescimento com contacto físico entre a família, enquanto adultos, tendemos a valorizar e a reproduzir essa relação». Pelo contrário, crianças que cresceram sem demonstrações de carinho serão, muito possivelmente, adultos mais distantes.

Um abraço sentido reduz o stress, diminui a perceção de qualquer conflito que tenha ocorrido, apazigua a sensação negativa que possa estar a viver

Esta regra pode ter exceções. Se houve falta de contacto físico durante a infância, é também possível que se desencadeie uma euforia na idade adulta como forma de compensar a carência.

Outro dos fatores que pode condicionar a forma como encaramos a proximidade física é termos sofrido um trauma em pequenos. Quem sofre algum tipo de abuso tem tendência a bloquear o contacto físico com os outros. Nestes casos, é importante respeitar o outro e não forçar nada.

Não devemos desvalorizar o poder de um abraço. Os abraços são bálsamos emocionais que têm benefícios físicos e psicológicos. Por exemplo, um abraço sentido reduz o stress, diminui a perceção de qualquer conflito que tenha ocorrido e apazigua a sensação negativa que possa estar a viver, segundo uma pesquisa publicada no site Plos One.

A cultura pode ser um fator determinante para as relações pessoais com contacto físico. O psicólogo Sydney Jourard conduziu uma investigação em que comprovou que, numa conversa amigável, os porto-riquenhos trocavam gestos 180 vezes, os franceses 110, os americanos um par de vezes e o ingleses nem uma.

Um outro estudo publicado em 2015, em que participaram 1.300 homens e mulheres de cinco países diferentes (Reino Unido, Finlândia, França, Itália e Rússia), defende que a relação que temos com o outro e o ambiente em que estamos inseridos são determinantes. Os abraços, como qualquer contacto físico, estão reservado para relações próximas e família.

Se é das pessoas que se encolhe quando o abraçam, pense bem no que está a perder.