Doença que afeta 40% dos homens depois dos 50 tem solução

Hoje é o Dia Europeu das Doenças da Próstata. Dificuldade em iniciar a micção, um jato urinário mais fino e fraco ou o aumento da frequência urinária podem ser alguns dos sintomas associados à Hiperplasia Benigna da Próstata, que afeta 40 por cento dos homens a partir dos 50 anos. Paulo Príncipe, médico urologista, e José Bastos Pinho, que vive com hiperplasia há cerca de seis anos, explicam melhor esta doença.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

Quase 50 por cento dos homens a partir dos 50 anos sofrem de hiperplasia benigna da próstata (HBP), doença que dificulta a iniciação da micção e que aumenta a frequência urinária. A partir dos 80 anos, a HBP é ainda mais comum no sexo masculino, com uma taxa de 80 por cento.

Paulo Príncipe, urologista no Centro Hospitalar do Porto/Hospital de Santo António, explica à DN Life que os sintomas são descritos como «sintomas do trato urinário inferior (ou LUTS – lower urinary tract syntom) e podem ser divididos em sintomas de esvaziamento, como a hesitação, jato fraco, intermitência e esforço miccional, ou de armazenamento, que se caracterizam pela frequência urinária, especialmente durante a noite – notúria – e incontinência de urgência».

José Bastos Pinho, doente há cerca de seis anos, descobriu que sofria desta patologia aos 45, quando os sintomas já não lhe permitiam dormir. «Só à noite é que se manifestavam: tinha muita vontade de urinar e depois não conseguia fazer praticamente nada», diz o responsável de manutenção numa fábrica de calçado, agora com 58 anos.

«Estava a viver uma vida de inferno», diz José Pinho Bastos, doente de hiperplasia.

«Comecei por evitar beber água antes de me deitar e depois comecei por tomar um medicamento caseiro que me recomendaram a achar que tinha cura. E não tinha, claro. Passei para uns remédios passados pelo médico, mas depois foi-se agravando e tive que ser operado», revela ainda Bastos Pinho, residente em São Martinho de Gândara, Oliveira de Azeméis.

Esta é uma fase comum entre os doentes de hiperplasia benigna da proposta. Segundo Paulo Príncipe, estes sintomas «podem causar incómodo e até prejudicar a qualidade de vida do paciente». «Têm necessidade de estar sempre a ir à casa de banho, interrompendo muitas vezes as suas atividades diárias», explica o especialista.

«À medida que a HBP progride, podem também surgir outras complicações, como infeções do trato urinário e presença de sangue na urina», INDICA O MÉDICO UROLOGISTA.

José Pinho Bastos viveu o drama das noites sem dormir. «Estava a viver uma vida de inferno», diz.

«À medida que a HBP progride, podem também surgir outras complicações, como infeções do trato urinário e presença de sangue na urina. Nos doentes com formas mais graves da doença pode ocorrer retenção urinária e insuficiência renal», acrescenta o médico do Centro Hospitalar do Porto.

No caso de José Bastos Pinho, com o avançar da doença, a solução encontrada foi a cirurgia. No entanto, há outras formas de tentar abrandar os sintomas.

«A diminuição da ingestão de líquidos ao final do dia, a redução de ingestão de café e álcool – que têm efeito diurético e estimulante vesical – e ainda a aplicação de técnicas de distração nos episódios de urgência» são algumas modificações que podem melhorar os sintomas da doença.

«Caso o impacto dos sintomas na qualidade de vida seja significativo, passamos ao tratamento farmacológico. A cirurgia é indicada nos casos de falência terapêutica no controlo dos sintomas ou sempre que surjam complicações desta doença: infeção, hematúria recorrente, cálculos na bexiga ou dilatação dos rins com aparecimento de insuficiência renal», afirma o especialista.

«Muitas vezes, o aparecimento destes sintomas leva ao receio de estarmos na presença de uma doença oncológica».

Para o doente de hiperplasia, a cirurgia «foi o melhor que aconteceu». «Agora tenho uma vida normal, parece que nunca tive qualquer sintoma. Levanto-me uma vez por noite, no máximo duas vezes», diz.

O médico urologista lembra que muitas vezes os doentes que apresentam os sintomas acima descritos têm receio de estar «na presença de uma doença oncológica». No entanto, explica, «o cancro da próstata raramente provoca sintomas no aparelho urinário inferior».

Ainda assim, Paulo Príncipe diz que os «doentes devem consultar o especialista sempre que tenham indícios» desta patologia.