Hoje é o Dia da Mãe. E as crianças sem mãe? E as mães sem filhos?

Muitas crianças vivem hoje um dia triste e angustiante, sentindo a falta da mãe ou sentindo-se diferentes das outras crianças. E muitas mães vivem também hoje um dia especialmente dramático, afastadas e privadas de convívios com os filhos.

Hoje celebra-se o Dia da Mãe. Por todo o mundo, este dia é celebrado, ainda que em dias do ano diferentes. Em Portugal, o Dia da Mãe é comemorado no primeiro domingo de maio, de acordo com a tradição da Igreja Católica que neste mês celebra Santa Maria, Mãe de Jesus.

Estamos perante uma celebração que é transversal a diferentes países e culturas, tornando este dia especialmente dedicado às mães. As crianças são incentivadas desde tenra idade a oferecer algo à sua mãe, na maior parte das vezes algo elaborado por si no Jardim de Infância ou na escola. Desenhos, pinturas, e tantas outras coisas que as mães guardam religiosamente pela vida fora. Se é mãe e tem a sorte de poder estar com os seus filhos neste dia especial, diga lá se não tem uma gaveta cheia de prendinhas oferecidas por eles?
As mães, tal como os pais (que também têm o seu dia assinalado) merecem este reconhecimento e a vivência destes dias especiais na companhia dos seus filhos. Porque ser mãe (ou pai) tem muito que se lhe diga.

Mas, e as crianças que não têm mãe? A mãe pode já ter morrido. Outras crianças não têm um pai e uma mãe, mas sim dois pais.

E as crianças que estão afastadas das suas mães? Porque estas as abandonaram ou maltrataram de alguma forma.

E as crianças que, vítimas dos conflitos parentais associados a separações e divórcios conflituosos, se veem privadas de conviver com a sua mãe?

E as mães que, envolvidas nestes mesmos conflitos, são também privadas de estar com os seus filhos?

E… são tantas as possibilidades que não cabem numa única crónica. E podem resumir-se desta forma: muitas crianças vivem hoje um dia triste e angustiante, sentindo a falta da mãe ou sentindo-se diferentes das outras crianças. E muitas mães vivem também hoje um dia especialmente dramático, afastadas e privadas de convívios com os filhos.

Para ajudar estas crianças, sugiro que os seus cuidadores as incentivem a pensar em alguém de quem gostem muito e que a celebração seja feita com essa pessoa. A essa pessoa especial escrevam uma carta, façam um desenho, uma vídeo chamada, mandem fotos divertidas.

Para ajudar estas mães, sugiro que criem uma conta de email para onde escrevem tudo aquilo que gostariam de dizer aos vossos filhos. Ou escrevam-lhes cartas, que depois guardam num local seguro. E façam isto não apenas hoje, mas em todos os dias do ano, sempre que as saudades mais apertarem. Um dia, os filhos crescem e poderão ter acesso a estes emails ou cartas e sentir que, mesmo distantes fisicamente, as suas mães estavam próximas de si. Podem sentir que sempre permaneceram na memória e no coração das suas mães, e isto pode ser extremamente securizante para uma criança. Conforta e apazigua.

Estas mesmas sugestões são válidas para o Dia do Pai. Afinal de contas, muitas crianças também não têm pai ou não convivem com ele.

Ao invés de nos centrarmos apenas na figura da mãe ou do pai, penso que seria muito importante focarmo-nos no Dia das Pessoas Especiais. O dia dedicado às pessoas de quem gostamos e que gostam de nós. Afinal de conta, são essas as pessoas mais importantes da nossa vida. Porque aquilo que liga as pessoas não é necessariamente o laço biológico. É o amor. Como dizia um dia uma criança, “o amor é a cola que une as pessoas”.

No meu canal de Youtube falo hoje sobre este tema, com vídeos dirigidos a crianças e jovens, às famílias e aos profissionais. Espero por todos!