Metade dos homens não sabe onde fica a vagina e isso pode comprometer a saúde das mulheres

Apesar dos avanços médicos, científicos e ao nível da educação sexual, uma pesquisa recente descobriu que metade dos homens desconhece a localização exata da vagina. Más notícias para a saúde e o prazer femininos.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Não é propriamente como se lhes tivessem perguntado porque é que o conceito das órbitas de Bohr viola o princípio da incerteza, ao alcance de físicos quânticos e pouco mais. No caso, tratava-se apenas de saber se os homens seriam capazes de apontar, num diagrama, a localização exata da vagina. E metade chumbou no teste.

Foi esta a conclusão de uma pesquisa realizada pela organização não-governamental britânica The Eve Appeal, de combate ao cancro ginecológico, divulgada pelo jornal The Independent. Com tanto sexo que se faz e tanta informação disponível em plena era tecnológica, é preocupante este desconhecimento, que se reflete na saúde ginecológica.

Com tanto sexo e tanta informação, é preocupante ver como o desconhecimento atinge a saúde ginecológica.

«O corpo da mulher continua a ser um tema absolutamente tabu, envolto em mistério», explicam os autores do estudo, perplexos com a falta de consciência generalizada com que se depararam depois de entrevistarem dois mil britânicos, metade dos quais do sexo masculino.

Uma vez confrontados com um esquema simples do aparelho reprodutor feminino – que incluía outros órgãos como o útero, ovários, trompas de Falópio, endométrio ou cérvix, além da vagina –, apenas 50 por cento dos homens conseguiram identificar com precisão o canal que se estende do colo do útero até à vulva.

17% dos homens inquiridos não só não sabem nada sobre questões de saúde ginecológica, como acham que não precisam de ficar saber.

Mais grave ainda: 17 por cento dos homens inquiridos não só não sabem nada sobre questões de saúde ginecológica como não acham que precisem de ficar saber, por considerarem que pertencem exclusivamente ao foro feminino, onde devem permanecer sem grande alarido.

Metade assumiu também que não se sente à vontade para falar com a parceira sobre questões de sangramento, corrimento vaginal, relações sexuais dolorosas, nódulos, alterações de aspeto na região pélvica, mudança de hábitos urinários e outros, embora sejam muitas vezes sintomas de cancro ginecológico que podiam ser detetados mais cedo.

Em 2016, 44% das mulheres eram tão incapazes de identificar a sua própria vagina num diagrama quanto os homens.

«Os resultados da pesquisa revelam níveis baixíssimos de conhecimento quer nos homens, quer entre as mulheres», lamenta a diretora executiva da The Eve Appeal, Athena Lamnisos, que já em 2016 tinha apurado que 44 por cento das senhoras eram tão incapazes de identificar a sua própria vagina num diagrama quanto os cavalheiros.

O problema desta lacuna, diz, é que boicota constantemente a prevenção, em tempo útil, dos cinco tipos de cancro ginecológico (vagina, vulva, ovários, colo do útero e endométrio). É uma questão de vida ou morte. «A consciência ginecológica e a quebra de tabus são responsabilidades que nos cabem de igual forma a todos, homens e mulheres», defende a responsável da ONG.

E já que é de desconhecimento que falamos, mostramos-lhe na fotogaleria alguns dos erros mais comuns que arruínam o sexo. Afinal, no meio disto tudo, o prazer também é importante.