Iniciativa Liberal. Uma dúzia de outdoors mudaram a vida do ‘partido do Twitter’

Iniciativa Liberal. Uma dúzia de outdoors mudaram a vida do 'partido do Twitter'
Iniciativa Liberal começou por ser conhecido como do "Twitter", mas domingo chegou ao parlamento
O partido começou por ser conhecido como do “Twitter”, mas domingo chegou ao parlamento. Sem rostos conhecidos ou grandes recursos como conseguiu isto? Muita criatividade e uma dúzia de outdoors talvez expliquem grande parte do sucesso

Paula Sá

O outdoor que “mais rendeu” na campanha eleitoral da Iniciativa Liberal (IL) foi o #com primos, que colocado lado a lado com o do PS #cumprimos desconstruía a mensagem do sucesso governativo. Carlos Guimarães Pinto, líder da IL, agarrou a ideia enviada no WhatsApp por um simpatizante do partido e que “por via do efeito multiplicador das redes sociais e dos meios de comunicação chegou a muita gente”. E, pelos vistos, convenceu mais de 65 mil pessoas, 1,29% dos votos, que lhe deram um deputado.

“Quando cheguei, faz domingo um ano, apresentei um projeto político e outro de comunicação irreverente”, afirma ao DN Carlos Guimarães Pinto. O partido agarrou os dois e passou a “estar focado nas ideias e não nas pessoas”. Quando os grandes partidos, ou até alguns pequenos – como o Chega de André Ventura (que também elegeu um deputado) e o Aliança de Santana Lopes (que não elegeu) – se fixam em figuras, a IL não o podia fazer.

“Eu não era um rosto mediático até há uma semana daí que tivesse de pensar como comunicar de forma eficaz e ainda para mais com poucos recursos”, reconhece o líder da IL. Investir nas redes sociais era terreno seguro já que escrevia em blogs como O Insurgente a difundir as ideias liberais.. “Começamos por ser o partido do Twitter e hoje somos já a 4.ª força nas redes. Agora é muito fácil fazer passar a mensagem”, assegura.

Após o sucesso nas redes, conseguido com uma equipa de quatro pessoas, a que se somou mais outra recentemente, era preciso encontrá-lo também na rua. Em janeiro, Carlos Guimarães Pinto conhece Manuel Oliveira, da agência de publicidade Mosca, criativo e apoiante da IL e, em conjunto, gizam toda a campanha que iria acompanhar os passos do partido até às legislativas de outubro.

O rasgo do Impostopoly

“Tínhamos pouco dinheiro e, por isso, queríamos que cada cartaz contasse”, frisa o presidente da IL. Nenhum dos que foi colocado na rua teve mais de oito ou nove tiragens. A aposta foi colocá-los em sítios estratégicos em Lisboa e Porto, os centros urbanos que poderiam dar votos aos liberais.

Um dos outdoors mais famosos da coleção que colocaram na rua, o do Impostopoly, em que simularam o tabuleiro do famoso jogo com o Costa de cartola a dar um soco em toda a carga fiscal do país, só teve dois exemplares, os quais foram colocados no Porto e em Lisboa, no Saldanha. “Colocámos dois, mas bastava um”, garante Carlos Guimarães Pinto, tal o impacto que teve nos órgãos de comunicação social.

Mas de onde veio o financiamento para tudo isto?

“Veio das quotas dos membros e de donativos”, assegura Carlos Guimarães Pinto e lembra que, de início, “até tínhamos uma quota muito elevada para os militantes, de 60 euros anuais”. Os donativos que chegavam a conta-gotas no início da caminhada do partido, ganharam asas com a campanha eleitoral. “Se recebíamos 50 a 100 euros num mês, passámos a receber 100, 200, 300, 400 e 500 euros num dia. As pessoas ficaram entusiasmadas!”

A promessa eleitoral de abdicar da subvenção estatal que é dada aos partidos para financiar a campanha eleitoral é para cumprir. “Achámos que é excessiva e que não pode ser usada nas melhores formas de comunicação, quase resumindo-se a pagar jantaradas e comícios, feitos para os militantes dos partidos”, afirma o presidente da IL.

A democracia, reconhece, “merece parte do Orçamento do Estado, mas essa subvenção não é bem pensada. Não pode ser usada para publicidade online, que é muito melhor do que panfletos, e só um quarto é que pode financiar os outdoors”. E insiste, com resultados que estão à vista: “Os panfletos, jantares e comícios não servem para informar os eleitores. Toda gente sabe que os partidos enchem tudo com os seus próprios militantes”. Por isso, remata, defendem que deve ser dado a todos os partidos “30 mil euros, e só, para as despesas de campanha”. O PSD e o PS recebem cerca de um milhão… “As campanhas tradicionais são faustosas sem qualquer retorno e disse isso ao Presidente da República quando agora nos recebeu”.

Deputado eleito, partido falado. A estratégia de comunicação é para prosseguir e já depois das eleições de domingo, enquanto prossegue a recolha dos outdoors antigos, a Iniciativa Liberal colocou três novos (foto em baixo), dois no Saldanha e 2.ª Circular e outros dois vão no Porto.