Tratamento do cancro: transplante de células pode ajudar no combate à doença

Investigação do Instituto Francis Crick, no Reino Unido, acredita que é possível combater o cancro através do transplante de células imunes de estranhos. Cientistas dizem que esta pode ser uma forma de melhorar o sistema imunológico.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia ShutterStock

O centro de pesquisa biomédica de Londres, Reino Unido, está a investigar um tratamento inovador no combate ao cancro, que utiliza células imunes de estranhos. O objetivo é conseguir fortalecer o sistema imunológico dos pacientes, de forma a evitar a utilização de tratamentos tóxicos, como a quimioterapia.

A instituição que está a revolucionar o tratamento do cancro quer agora criar o primeiro banco imunitário destas células, para que os médicos de oncologia consigam – numa questão de horas – implantar as «células saudáveis» no paciente.


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Em declarações ao The Telegraph, o autor do estudo e professor Adrian Hayday, garantiu que a sua equipa está a trabalhar para conseguir criar este «banco de células», para que cientistas e médicos possam melhorar o corpo, ao invés de o bombardear com tóxicos.

«Usar as próprias células do sistema imunológico do corpo para atacar o tumor é decisivo porque os tumores evoluem tão rapidamente que não há empresas farmacêuticas suficientes para acompanhá-lo», acrescentou.

De acordo com o site Asian Scientist, uma equipa de investigadores japonesa está também a fazer progressos no combate ao cancro. Através de um sistema de inteligência artificial, a tecnologia consegue distinguir diferentes tipos de células cancerígenas.

Este pode ser um importante progresso na investigação de combate à doença, uma vez que identificar os tipos de células presentes nos tumores pode ser mais eficaz no que diz respeito ao tratamento.

A imunoterapia tem mostrado eficácia no «cancro do pulmão, no cancro da bexiga, do rim, da cabeça e pescoço, no linfoma de Hodgkin e no tumor de células de Merkel (raro).

Além disso, adianta a mesma publicação, este sistema pode também ajudar no pós-operatório para perceber se o paciente está realmente curado.

A imunoterapia tem sido uma área em desenvolvimento em todo o mundo. Também em Portugal têm sido estudadas algumas formas de utilizar o sistema imunitário no tratamento do cancro.

Em declarações à DN Life, sobre este tema, Júlio Oliveira, médico oncologista do IPO do Porto, diz que a imunoterapia tem mostrado eficácia no «cancro do pulmão, no cancro da bexiga, do rim, da cabeça e pescoço, no linfoma de Hodgkin e no tumor de células de Merkel (relativamente raro)», acrescentando que, «progressivamente», terá mais aprovações «noutros tipos de tumor».


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