Isolamento social, divórcio à vista?

O isolamento social que ainda agora começou é uma prova de fogo para os casais. Ou sobrevivem e saem desta experiência mais unidos e próximos do que nunca, ou não sobrevivem e ficam por aqui, acabando em separação ou divórcio.

Viver a dois é uma experiência muitíssimo desafiante, muito mais do que se imagina. Os elementos do casal juntam-se e consigo trazem uma bagagem imensa, feita da sua cultura, valores, experiências passadas e também dos seus modelos transgeracionais, que nos moldam e condicionam sempre de alguma forma. Juntam-se os dois elementos e é desejável a formação de um terceiro elemento, a chamada identidade do casal que, não anulando as identidades individuais, acaba por uni-las de uma forma muito única. É o “nós”, que deve surgir para além do “eu” e do “tu”.

Ao longo do ciclo de vida da família, os casais são desafiados de numerosas formas, relacionadas, por exemplo, com o nascimento e o crescimento dos filhos, a conciliação da vida familiar e profissional, a relação com as respectivas famílias de origem, a gestão da vida doméstica e financeira, entre muitas outras. E para que estes desafios sejam superados com sucesso exigem-se competências de comunicação e de gestão dos conflitos. Em paralelo, a existência de laços afectivos sólidos, intimidade emocional, respeito, confiança e admiração são também ingredientes imprescindíveis. Ora, é em situações de crise que os casais mais são postos à prova. Ou conseguem activar todos os seus recursos e saem da crise mais fortes e amadurecidos ou, pelo contrário, a crise resulta em perturbação e patologia.

O isolamento social exige uma alteração drástica na rotina dos casais, obrigados agora a tempos de convivência muito superiores aos habituais. E juntos 24 sobre 24h, o risco de tensão, de implicarem ou com o outro, de conflitos e mesmo de violência aumenta de forma muito significativa.

Privados ainda da convivência com outros familiares e amigos, acresce o stress de terem de trabalhar à distância, ao mesmo tempo que é preciso cuidar dos filhos e da casa, assegurar a odisseia das compras, fazer o almoço e o jantar, desempenhar o papel de professores… são demasiados factores indutores de stress!

Neste contexto, e sabendo desde já que estamos perante uma verdadeira prova de fogo, é importante que os casais tenham alguns cuidados acrescidos. Ainda que não existam receitas mágicas, estas são algumas dicas que podem ajudar a evitar o divórcio:

  • Abasteçam-se de tolerância e flexibilidade.

  • Expressem aquilo que sentem.

  • Desenvolvam a capacidade de escuta e aceitação.

  • Riam juntos!

  • Partilhem as tarefas. Não existem super-homens nem super-mulheres que tudo aguentam com um sorriso nos lábios.

  • Reservem algum tempo (ainda que seja pouco) para estar a sós e sem filhos (esperem que eles se deitem!).

  • Sejam criativos e inventem (ou reinventem) formas de relaxar e de se aproximarem do ponto de vista emocional.

Lembrem-se. Conseguir manter a cumplicidade e fugir à rotina, no meio da rotina, é o desafio necessário para sobreviver ao isolamento.