Já consumiu tudo neste Natal?

Quem nunca se perdeu nas compras em período de festas? Às luzes juntam-se as trocas de presentes, que se juntam às promoções, que se juntam a ainda mais promoções. Se conseguir chegar ao final do mês sem perder a cabeça já é uma sorte.

Texto de Ana Pago | Fotografias de Filipe Amorim/Global Imagens

Natal e Ano Novo são, por excelência, a época de juntar a família e os amigos à mesa. De fazer resoluções para os 365 dias que se seguem nas nossas vidas. De trocar presentes e até de viajar. E embora seja conveniente refrear os gastos para não entrar em 2019 com o pé esquerdo, o facto é que andar às compras também anima (e de que maneira!) a quadra natalícia.

CONFIANÇA

É um cenário positivo o que vivemos atualmente: menos intenções de poupança, de um modo geral, significam que existe maior confiança, mais estabilidade financeira e um aumento do poder de compra nas famílias. «Mesmo assim verificamos uma tendência que já tínhamos observado noutros anos, que passa por evitar gastos que extravasem a estrutura familiar mais chegada de pais, filhos ou cônjuges», adianta Pedro Camarinha, o diretor de distribuição do Cetelem.

POUPANÇA

Chegou com a crise e acabou por ficar enraizada nos hábitos de consumo dos portugueses, ainda que deixando os cordões à bolsa mais folgados do que em anos anteriores. É assim que cada um de nós gastará, em média, 382 euros nesta época de festas, de acordo com dados do Observador Cetelem, apesar de a maioria (61 por cento) escolher comprar durante as promoções ou em locais mais baratos.

PROMOÇÕES

Há quem tenha aproveitado as temporadas de preços mais baixos antes da quadra e quem prefira esperar pelos saldos depois do Natal. Certo é que os consumidores estão a aderir em força a dias promocionais como a Black Friday e a Cyber Monday (até há pouco tempo desconhecidas no país), mostram-se informados quanto ao que querem comprar e chegam a calcorrear quilómetros para conseguirem uma melhor gestão do orçamento familiar, o que nos leva imediatamente ao próximo ponto.

ENGENHO

Na verdade, é coisa que não falta a quem anda às compras, sobretudo nas lojas físicas – preferidas por 85 por cento dos compradores, segundo números da Deloitte, apesar de o comércio eletrónico estar a aumentar a olhos vistos –, e em particular nos centros comerciais (67 por cento). Supermercados e hipermercados são a segunda maior escolha dos consumidores, que optam quase sempre por dar presentes mais acessíveis para pouparem algum dinheiro. Ou então saírem das lojas decididos a não comprar regalo nenhum, caso a oferta não lhes agrade de todo.

PRESENTEAR

E esta é bem capaz de ser a pergunta mais importante a fazer antes de comprarmos o que quer que seja para alguém: como se escolhe uma prenda? «Não podemos achar que é só uma coisa que damos e já está, sem perceber que se trata de um código», explica o diretor da Academia de Protocolo, João Micael. Assim sendo, convém saber o mais possível sobre os gostos da pessoa que queremos presentear, diz. E evitar presentes ostensivos, excessivos ou íntimos a não ser que se conheça bem o outro.

VESTUÁRIO

Encabeça a lista dos artigos que os portugueses mais desejam receber (35 por cento, ainda com base no Observador Cetelem), logo seguido de perfumes (29 por cento) e dinheiro (21 por cento). Telemóveis e smartphones perfazem 1/5 das escolhas, ao passo que os livros e CD se ficam pelos 14 por cento do total nacional – muito poucos a quererem-nos no sapatinho, está visto.

INTENÇÕES

Não correspondendo exatamente aos mais desejados (desilusões a caminho, portanto), livros e chocolates estão no topo das escolhas dos portugueses para a família e amigos este ano. Outra regra instituída em muitas casas continua a ser a de se oferecer presentes somente às crianças e/ou parentes chegados, a reforçar o princípio de que o mais importante é o tempo de qualidade que passamos juntos.

RECICLAR

Por fim, saiba que opções tem se receber algo que jamais usará na vida. «Em primeiro lugar, mesmo que não goste nada, agradeça com cortesia», aconselha o especialista em protocolo João Micael, considerando que nunca devemos magoar ninguém que pensou em nós. A partir daí pode cultivar o hábito de dar a quem mais precisa (a incutir desde cedo nas crianças). Ou fazer trocas com amigos de tempos a tempos. Ou vender em sites como o OLX, CustoJusto, Etsy, eBay e afins (de novo com cuidado nos anúncios que puser, não vá quem ofereceu ficar magoado se os vir). Reoferecer não é tão bonito mas também vale, desde que ao menos mude o embrulho amarrotado. Ah, e o laço!