Jovens mais informados e protegidos

A internet é um mundo que está à distância de um clique. Seja através do computador, dos telemóveis ou de outros dispositivos, de dia ou de noite e em qualquer lugar, os jovens podem aceder com enorme facilidade. Basta que se liguem.

Na maior parte das situações, o uso da internet está associado a aspectos positivos, como poder conversar com os amigos, partilhar fotografias ou realizar pesquisas para a escola ou sobre temas de interesse. No entanto, existem outros contextos em que o uso da internet surge associado a situações de risco, nomeadamente, de natureza sexual. Através da internet, os jovens podem ser expostos a imagens sexuais ou materiais pornográficos, receber mensagens sexuais ou ser vítimas de algum tipo de abuso ou exploração sexual.

Neste contexto, a excessiva confiança e consequente despreocupação que muitos pais evidenciam é alarmante. Acreditam, ingenuamente, que os filhos são prudentes e sabem identificar potenciais situações de risco e, ainda, que lhes revelariam essas mesmas situações. Mais, acreditam que os filhos são inteligentes e estão devidamente informados, o que os torna imunes a qualquer tipo de situação sexualmente abusiva.

Mas a realidade é bem diferente. De forma recorrente, vemos jovens inteligentes e informados expostos a conteúdos pornográficos, e em silêncio. A falarem com “amigos” virtuais e a acreditarem piamente em tudo o que estes lhes dizem. Acreditam que esses “amigos” têm a idade que dizem ter, que mantêm com eles uma relação especial e única e que, por isso, mantêm privadas todas as conversas. Acreditam também que esses “amigos” apagam as imagens e os vídeos trocados, não as partilhando jamais com terceiros.

Penso que nunca antes como agora os nossos jovens têm acesso a tanta informação. Dominam as tecnologias como ninguém, tratam um sem número de redes sociais por tu e, com uma destreza invejável, movimentam-se em todas as direcções a uma velocidade estonteante. Ao mesmo tempo, toda esta informação não lhes permite, por si só, desenvolver as competências necessárias para se manterem protegidos. Ignoram as regras de segurança mais elementares e expõem-se de uma forma totalmente abusiva, cedendo a pedidos e chantagens. Alguns jovens chegam mesmo a marcar encontros na vida real e a levar esses supostos amigos para sua casa, na ausência dos pais. Pois é. Temos jovens tão informados e tão desprotegidos.

Competências que lhes permitam saber o que fazer e o que não fazer. Porque não se trata apenas uma questão de inteligência ou de posse de informação.

Tal como em tantas outras áreas, concluímos que ter acesso à informação não chega. É preciso que os jovens sejam ajudados a pensar e que a informação de que dispõem seja devidamente digerida e amadurecida. Os jovens precisam ser confrontados com situações problemáticas que exijam processos de reflexão e de tomada de decisão. Face a este problema, de que alternativas disponho? Que vantagens ou desvantagens acarreta cada uma dessas alternativas? E que possíveis consequências daí poderão advir?

Mais do que informar os jovens, é preciso que estes desenvolvam competências para lidar com diversas as situações. Competências que lhes permitam distinguir o que é saudável e normativo do que pode representar algum tipo de risco ou perigo.Competências que lhes permitam saber o que fazer e o que não fazer. Porque não se trata apenas uma questão de inteligência ou de posse de informação.

Se ainda não falou com o seu filho ou filha adolescente sobre estas questões, então está na hora de o fazer.

Este vídeo pode ajudar.

Mesmo que a escola também aborde estas situações (era tão bom que todas as escolas o fizessem), não delegue uma responsabilidade que é, em primeira instância, da família. Com calma, sem dramas e de uma forma objectiva, é tempo de abordar um tema que não pode continuar a ser tabu.

“Este tabu é o nosso melhor aliado”.

Quem o diz? Um agressor sexual.