Acabei a minha licenciatura. E agora?

Adquirir novos conhecimentos, reciclar outros, obter maior especialização profissional, fazer amigos e novos contactos são algumas das vantagens da formação complementar ao nível do ensino superior. Por seu turno, as empresas valorizam cada vez mais a decisão de aprendizagem ao longo da vida.

Texto de Cláudia Pinto | Fotografia Shutterstock

Depois de se ter licenciado em Sociologia do Trabalho, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) e já inserido no mercado de trabalho como headhunter (a tradução literal significa «caça-talentos»), Ricardo Gonçalves tirou um master of business administration (MBA) na Universidade Católica, entre 2005 e 2007. Inicialmente, o objetivo era a evolução na carreira, o que veio a confirmar-se. Mas o que ganhou foi bem além disso. «Ajudou-me na aquisição de novos conhecimentos, trouxe-me network, amizades e um sócio», conta.

«Existem três pilares fundamentais na tomada de decisão sobre o tipo de formação complementar a escolher: objetivo profissional, disponibilidade financeira e motivação pessoal»

Passados nove anos, Ricardo e um ex-colega do MBA, João Vieira de Almeida, lançaram-se num negócio próprio e fundaram a Core Investments. Ricardo mantém ainda uma atividade de consultoria na sua empresa Collectiv.

Ao longo da carreira, já recrutou centenas de pessoas, e na sua opinião «existem três pilares fundamentais na tomada de decisão sobre o tipo de formação complementar a escolher: objetivo profissional, disponibilidade financeira e motivação pessoal», explica.

Até há pouco tempo, um curso superior bastava para que alguém desenvolvesse a sua profissão. Hoje, as exigências são maiores e é valorizada a aposta no estudo ao longo do tempo.

«No futuro, as empresas irão privilegiar ainda mais o quociente de aprendizagem que reflete o desejo e a capacidade de um indivíduo aprender, de se adaptar às constantes mudanças do mercado de trabalho e à inovação tecnológica», acrescenta o consultor.

Maria Oliveira, socióloga na área de recursos humanos, considera que «a formação contínua do candidato revela vontade de aprender e progredir».

«A formação não substitui a experiência e vice-versa», diz Maria Oliveira, socióloga na área de recursos humanos.

Tendo a seu cargo o recrutamento de trabalhadores numa empresa na área do retalho, quando recebe um currículo valoriza esta componente mas também as experiências profissionais dos candidatos. «Tem de haver um equilíbrio. A formação não substitui a experiência e vice-versa», defende.

As especializações dos candidatos têm «resultados notórios no contexto de trabalho uma vez que são escolhidas de acordo com a necessidade da empresa e do profissional», conclui.

Que tipo de formação escolher?

Formação especializada: Inclui cursos de curta duração que visam promover conhecimentos e competências em determinadas áreas, valorizando o CV e as capacidades profissionais dos alunos.

Mestrado/doutoramento: Habitualmente associados a quem pretende seguir uma carreira académica, estão a ganhar importância sobretudo nas empresas que procuram candidatos com especializações concretas. «Ainda assim, não deixam de ser uma formação mais teórica, não constituindo, por isso, o alvo preferencial de quem recruta», explica Ricardo Gonçalves. Algumas universidades têm ainda ao dispor ofertas de pós-doutoramento que mais não são do que projetos avançados de investigação.

MBA: No âmbito dos lugares de gestão e quadros superiores/intermédios, o MBA é o mais valorizado e reconhecido pelo mercado nacional e internacional por incluir um modelo muito próximo do mundo dos negócios. Contudo, a vulgarização deste tipo de formação deve obrigar a uma seleção ponderada e criteriosa. Ricardo Gonçalves denota que «quem procura não deve limitar-se à instituição mas ter também em consideração a fase de carreira, o país, o tipo de MBA que pretende tirar [executive, com a duração de dois anos em part-time, ou a opção full-time, durante um ano, a tempo inteiro] e a disponibilidade financeira».

Pós-graduação: É uma alternativa mais interessante para quem procura adquirir ou atualizar conhecimentos sobre um tema específico. Por outro lado, permite maiores perspetivas profissionais. Algumas empresas reconhecem a sua importância, o que permite aceder a novas e melhores oportunidades de carreira.