Devemos comer sempre a pensar: “como é que quero sentir-me?”

Mafalda Pinto Leite lançou um livro – Cozinha Radiante – com mais de 90 receitas que, garante, transformam a saúde em beleza exterior. Além de princípios básicos como consumir mais alimentos crus, optar pelo orgânico, cortar no açúcar, fazer uma dieta alcalina ou consumir gorduras boas a chefe e nutricionista faz uma resenha dos nutrientes de beleza essenciais e aponta os alimentos onde estes podem ser encontrados. Depois, é experimentar as receitas.

Texto de Catarina Pires | Fotografias de Filipa Alves

Neste seu novo livro, Cozinha Radiante, dá receitas para «nutrir o corpo de dentro para fora». Como se faz isso?

Se tivesse de dar uma só solução focava no intestino. A flora intestinal e o seu equilíbrio é sem dúvida o segredo para obter uma pele saudável e luminosa. É vital manter as bactérias boas do intestino e dar cabo das más.

«Mais de 90 receitas para transformar a sua saúde em beleza exterior». Que tipo de dieta retarda o envelhecimento físico e mental?

Uma alimentação rica em verdes e os adaptogénos, que são plantas medicinais que ajudam o corpo a lidar com o stress e, se consumidas diariamente, são extremamente eficazes.

Ter saúde reflete-se sempre em beleza exterior?

Eu acredito que sim: aquela luminosidade que vem sempre de alguém que é saudável, que não precisa de maquilhagem para sobressair.

Devemos cozinhar acordo com as estações do ano e a pensar que 80 por cento do prato deveria ser legumes e que deveria comer fruta e legumes variados.

Aquelas coisas que nos diziam quando éramos miúdos – a cenoura faz os olhos bonitos – têm um fundo de verdade? Como é que os alimentos podem influenciar a beleza exterior?

Muito. Cada ingrediente é composto por vários nutrientes que podem ser bons para os olhos, cabelo, pele e assim está tudo interligado. É como comer com as estações do ano, faz todo o sentido, por exemplo, a melancia no verão protege contra os ultravioleta. A natureza fornece e nós temos de a conhecer e utilizar a nosso favor. Na parte introdutória deste meu novo livro fiz uma pesquisa densa sobre este tema: os benefícios de vários ingredientes e como usá-los a nosso favor.

O metabolismo é determinante para manter a forma. Há alimentos que o aceleram?

Sim, fibra é muito importante, como também verdes, variedade de legumes e fruta.

O seu livro é de cozinha, dá receitas. Quais são as formas de cozinhar mais saudáveis?

De acordo com as estações do ano e a pensar que 80 por cento do seu prato deveria ser legumes e que deveria comer fruta e legumes variados, umas cinco peças e tentar diversificar o máximo possível. Optar por comer biológicos e beber muita água.

Não acredito em fundamentalismos e acho que devemos comer um pouco de tudo. Defendo uma alimentação intuitiva, de volta às raízes e muito baseada nos alimentos naturais.

Como saber equilibrar e combinar os alimentos e quantidades de forma a fazer desta uma dieta para a vida?

Não sou de dietas, o nome por si assusta-me. Devemos comer sempre a pensar “como é que eu quero sentir-me” e acredito que dessa maneira vai tomar as decisões acertadas para si.

Diz que não tem que ver com desintoxicações malucas, regras rígidas ou obsessões por alimentos proibidos. Mas uma alimentação saudável a sério não implica uma grande dose de determinação e organização que pode ser interpretada como obsessiva?

Ortorexia nervosa, que consiste numa preocupação excessiva com a alimentação saudável, é uma doença muito comum nos dias que correm. Eu não acredito em fundamentalismos e acho que devemos comer um pouco de tudo. Defendo uma alimentação intuitiva, de volta às raízes e muito baseada nos alimentos naturais dos nossos antepassados, produtos locais, a pensar também no ambiente. É isso que nos levará a ser a melhor versão possível de nós mesmos.

É fácil fazer este tipo de alimentação em família?

Sim, tenho quatro filhos e mais dois emprestados e eles comem pelo exemplo, ou seja se nos virem a comer legumes desde pequenos nem vão questionar. Não podemos é tornar as coisas estranhas nem ser fundamentalistas. Vai sempre haver a comida da escola, dos anúncios, das festas de anos. Temos de lhes dar as bases, a informação e deixá-los comer. Outra coisa que nunca faço é forçar a comer. Aprendi que cada um tem o seu ritmo, a sua vontade e mais vale comerem quando realmente tem fome.

O que é mais importante mudar (ou adotar) na dieta para um “eu mais radiante”?

Deixar de comer (o mais possível) alimentos processados. E cada vez mais comer de acordo com a maneira que nos queremos sentir. Acredito muito naquela frase «somos o que comemos». Por isso a primeira vez que estiver a comer alguma coisa, pense se o vai fazer sentir como quer sentir-se. E se não, mas de qualquer maneira lhe apetecer comer, aproveite! Delicie-se! O pior é o sentimento de culpa. Não precisamos disso na nossa vida.

Experimente

Noodles de Pesto de Matcha com Tomates Caramelizados *