Mais de metade dos doentes com cancro do pulmão são diagnosticados já em fase avançada

Diagnóstico tardio condiciona as terapias mais eficazes. É importante, por isso, estar atento aos sintomas mais comuns: tosse, expetoração e falta de ar. O cancro do pulmão foi o que teve maior número de novos casos a nível global em 2018.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

«O cancro do pulmão progride durante anos de forma assintomática. Em cerca de 60% dos doentes o diagnóstico faz-se numa fase avançada o que condiciona opções terapêuticas mais eficazes com uma consequente redução da sobrevivência».

O alerta é de Fernando Barata, presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, que explica, em comunicado, a importância do diagnóstico precoce.

Diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas.

«Quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce, a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos cincos anos ultrapassa os 50 por cento».

Por isto, diagnosticar o cancro do pulmão nas suas fases mais precoces é o grande desafio dos especialistas, sendo determinante a atenção dada aos sintomas mais comuns. Tosse, expetoração (principalmente raiada de sangue) e a falta de ar são os sinais de alarme para esta doença.

Para Fernando Barata, uma das soluções para que seja feito um diagnóstico atempado passa pela implementação de um programa de rastreio para este tipo de cancro. «Nos próximos anos temos que definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar a nível nacional toda uma estrutura para o implementar», acrescenta ainda o especialista.

De acordo com o National Cancer Institute, o cancro do pulmão registou o maior número de novos casos a nível global em 2018, sendo que é consequentemente um dos mais mortíferos também.

Recentemente, o relatório Global Cancer Statics 2018 concluiu que o cancro do pulmão registou o maior números de mortes este ano (1.8 milhões), entre os 185 países analisados.

Cancro vai matar quase 10 milhões de pessoas em 2018

Imunoterapia: a esperança no tratamento do cancro

A ativação do sistema imunitário e a posterior destruição das células tumorais é um tratamento que tem vindo a mudar o paradigma do tratamento do cancro.

Júlio Oliveira, médico oncologista no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, falou recentemente com a DN Life sobre a imunoterapia. Na altura, o especialista afirmou que «o tratamento do melanoma, um tumor que cresce rapidamente e que tem muitas mutações, era quase nulo até há pouco tempo, e os resultados eram muito insatisfatórios», No entanto, «com a imunoterapia, passou a ter um prognóstico muito melhor».

Tal como também já acontece em casos de «cancro do pulmão, no cancro da bexiga, do rim, da cabeça e pescoço, no linfoma de Hodgkin e no tumor de células de Merkel (relativamente raro)». «Progressivamente, vamos ter mais aprovações noutros tipos de tumor», acredita Júlio Oliveira.

Imunoterapia: quando o sistema imunitário combate o cancro

Em Portugal, já se estão a realizar ensaios clínicos nos centros de referência para o tratamento do cancro. Bruno Silva-Santos, vice-diretor do Instituto de Medicina Molecular, espera que se invista ainda mais nesta área. «Seria bom haver mais [ensaios clínicos], e acredito que as autoridades responsáveis estão a desenvolver esforços nesse sentido», disse, na altura.