«Marias-rapazes» e «mariquinhas». Por que se mantêm os estereótipos?

Rótulos aparentemente inofensivos podem gerar reações violentas, estigmatização, problemas de autoestima. Especialistas alertam para a necessidade de combater estereótipos, que costumam chegar às crianças através dos adultos.

Texto de Joana Capucho

Até ao nono ano, Fédora Lucas praticou todos os desportos que a escola permitia: futebol, voleibol, basquetebol, ténis, râguebi, natação. Cedo se apercebeu que tinha muito mais massa muscular do que as raparigas da sua idade, mas as roupas largas disfarçavam o corpo maciço. “Por vezes, comprava roupa na secção masculina, porque não queria brilhantes e lantejoulas”, recorda. Queria vestir-se como o primo, porque achava que as roupas dele eram mais confortáveis. “Saias e vestidos nunca foram a minha paixão. A minha mãe gostava, mas não me impunha. Usava sweats e camisas com t-shirts largas por dentro”.

Contrastava com a maioria das suas amigas, “que vestiam calças justas, t-shirts mais femininas e roupa cor-de-rosa”. Na praia, não gostava de andar de biquíni. “Não queria usar a parte de cima, então estava sempre de calções de rapaz ou de fato de surf. Passava a vida dentro de água com o meu primo”. Também jogava cartas e snooker com o pai, que ficava bastante orgulhoso dos seus dotes.

Durante muito tempo, Fédora “fazia tudo o que os rapazes faziam, mas simplesmente era uma menina”. Era aquilo a que costumam chamar “Maria-rapaz”, o que, na sua opinião, não tinha um sentido depreciativo, nem fazia com que fosse alvo de qualquer tipo de discriminação. Mas nem sempre os rótulos são inócuos. Numa altura em que tanto se fala de igualdade de género, vários especialistas alertam para o facto de os títulos persistirem e para a necessidade de serem combatidos.

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