Marisco: podemos comer sem preocupações (além do preço)?

Camarão, sapateira, amêijoa, conquilha, ostras. O verão é tempo de petisco e os portugueses são especiais apreciadores de marisco. Mas será este um gosto saudável?

Texto de Alexandra Pedro

O marisco deve ser incluído frequentemente na sua lista de compras? Há proteínas nestas espécies que não encontra noutros alimentos? É saudável introduzir o marisco na dieta do dia-a-dia? Estas são questões frequentes e nem sempre a resposta é unânime.

A especialista em nutrição, Paula Ravasco, falou com a DN Life sobre os malefícios e os benefícios destes produtos do mar, que considera «excelentes equivalentes alimentares». «São ricos em vitamina D, ómega-3 e são uma excelente fonte proteica», esclarece, acrescentando que devem ser ingeridos nas mesmas quantidades que se recomenda para a carne ou o peixe: «100 gramas».

«Se comermos muito pão, hidratos, molhos com gorduras saturadas, é claro que vamos estragar o equilíbrio da refeição»

Para a especialista, é difícil ultrapassar as quantidades recomendadas, uma vez que além da casca, «tanto a amêijoa, como o mexilhão ou o berbigão são trabalhosos e leves, uma vez que têm muita água», tornando-os ótimos alimentos para uma refeição casual.

O perigo está nas más companhias

No entanto, alerta Paula Ravasco, os acompanhamentos – como o pão e os molhos – que normalmente estão associados a estes pratos tornam a refeição «menos saudável e mais desequilibrada».

«Se comermos muito pão, hidratos, molhos com gorduras saturas, é claro que vamos estragar o equilíbrio da refeição. Mas com outro tipo de acompanhamentos, como saladas ou legumes, é uma comida bastante leve e adequada», diz.

«Sabemos que consumimos, em geral, proteína em excesso, especialmente proveniente da carne, aves, peixe, ovos e lácteos»

Parecer semelhante ao da nutricionista Patrícia Almeida Nunes, que considera que o marisco é, «em geral, uma fonte de proteína de alto valor biológico, que pode constituir uma boa alternativa ao consumo de carne, peixe e ovos».

A coordenadora do serviço de dietética e nutrição do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, diz, em resposta à quantidade de marisco que deve ser ingerida, que a palavra-chave é «moderação».

«o marisco Deve ter pouca gordura e gordura saudável – como o azeite», diz a nutricionista almeida nunes.

«Sabemos que consumimos, em geral, proteína em excesso, especialmente proveniente da carne, aves, peixe, ovos e lácteos. Na prática, podemos consumir muito marisco numa refeição, desde que a frequência destes consumos não seja regular», diz a especialista.

Uma das principais dicas, para não sentir que deitou por água abaixo a sua dieta e garantir uma refeição equilibrada, está na forma como consome o marisco. «Devem ter pouca gordura e gordura saudável – como o azeite – e, preferencialmente, as confeções devem ser feitas a vapor ou cozidas», esclarece.

O marisco nunca deve ser introduzido na alimentação de uma criança antes de esta atingir um ano de idade

Almeida Nunes não esconde que o consumo de marisco, «em particular os crustáceos (lagostas, camarões ou percebes)», pode «ser considera uma fonte de colesterol». No entanto, a especialista lembra que a «sua restrição, a fim de promover a diminuição do colesterol total, depende de muitos fatores, em que os restantes hábitos alimentares e a atividade física têm um papel muito importante».

O marisco e as crianças

Paula Ravasco, autora de mais de 60 artigos científicos de investigação, lembra ainda que o marisco deve ser dos últimos alimentos a ser introduzido na alimentação dos bebés. «Tem níveis alérgicos bastante elevados e pode também preocupar devido às infestações. É um grande risco porque são animais que comemos na totalidade e tudo aquilo a que foram expostos vai ser ingerido», alerta.

Por estas razões, a professora da Faculdade de Medicina de Lisboa considera que o marisco nunca deve ser introduzido na alimentação de uma criança antes de esta atingir um ano de idade. «O peixe e os ovos, por exemplo, também só devem ser introduzidos aos oito/nove meses».