Mau sexo ultimamente? É isto que pode estar a fazer mal

A ordem de motivos é aleatória, até porque cada um sabe de si. O que importa é fazer com que o sexo volte a ser tão bom como era no início.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

SEGUIR UM GUIÃO

E ainda por cima um guião enfadonho, daqueles que nem com pipocas lá vai. «Sabe quando o sexo parece acontecer ser sempre à mesma hora, na mesma posição, acompanhado da mesmíssima sensação de “toca a despachar isto para irmos dormir”?», questiona Cristina Mira Santos. Pois não devia saber – ninguém devia. «É sinal de que está na hora de perder o medo de explorar o território corporal do outro», diz.

NÃO PEDIR O QUE QUER

É um dos principais culpados do tal guião aborrecido em que caem os casais, muito por vergonha do próprio ato em si, como se ele fosse obsceno e não sublime. «Muitos amantes não dizem abertamente o que preferem no sexo, do que não gostam, o que sentem, então sujeitam-se ao que têm até não dar mais», lamenta a psicóloga.

LUBRIFICAÇÃO A MENOS

Independentemente das razões por que as mulheres possam ter secura vaginal – cerca de 40 a 60 por cento sofrem disso devido a produção deficitária de estrogénio, amamentação, stress, infeções, falta de excitação, certos medicamentos, menopausa ou o que for –, usar lubrificante torna o sexo mais confortável. «Preliminares e masturbação são muito mais difíceis a seco», lembra a coacher sexual.

DORMIR POUCO

Falta de sono é má para o sexo e não apenas porque se arrisca a adormecer em pleno ato. Um estudo realizado na Universidade de Michigan, EUA, indica que cada hora que as mulheres dormem a mais se traduz em maiores índices de lubrificação vaginal, desejo sexual e vontade de se atirarem aos parceiros no dia seguinte. Outra pesquisa da Universidade de Chicago acrescenta que homens a dormirem menos de cinco horas por noite, durante uma semana ou mais, veem a testosterona baixar (e com ela a líbido) para níveis idênticos aos de um homem 15 anos mais velho.

LEVAR TECNOLOGIA PARA A CAMA

E tecnologia daquela que não serve para brincar com o parceiro, bem entendido. Segundo um estudo conduzido em conjunto pelas britânicas University College e London School, as pessoas levam para o quarto tablets e smartphones, usam o Twitter e o Facebook, respondem a e-mails, e afastam-se cada vez mais do parceiro. Claro que este retribui com igual número de cliques.

COLAR-SE À PORNOGRAFIA

Por mais que seja adepto do género, convém não esquecer que a pornografia é sempre exagerada e impessoal, não uma referência do que um casal deve fazer na cama. «Ou calha estar ativado e lhe apetece ser lascivo no timing e na dose certos, ou querer copiar um filme porno série B à força pode arruinar o momento e outras coisas mais na relação», sublinha Cristina Mira Santos.

NÃO ESTAR FOCADO

O mindfulness insiste na importância de se dar plena atenção ao aqui, agora, e os benefícios estendem-se naturalmente ao sexo. «É fundamental perceber o toque dos diferentes materiais envolvidos no ato – cetim, renda, seda –, sentir a pele do outro no meio disto tudo», destaca a coacher sexual, para quem bom sexo pressupõe uma sedução. Nada que se faça a pensar que ainda tem de lavar a loiça do jantar.

COMER MAL

Comida e sexo sempre estiveram ligados, a inspirar os sentidos… a menos que só ande a comer porcarias, que lhe matam o desejo na mesma medida em que lhe matam a linha, alerta um estudo da Universidade de Duke, EUA. As conclusões revelam que cerca de 30 por cento das pessoas com peso a mais, ou mesmo obesas, apresentam complicações na sua vida sexual decorrentes de disfunção erétil (nos homens), dificuldades em atingir o orgasmo (nas mulheres) e fraco desejo sexual (em ambos).

SER PERFECIONISTA

E que dizer quando alguém está tão focado na sua própria performance durante o sexo que se esquece da pessoa que tem ao lado? «O segredo é descontrair, entregar-se à sintonia do momento e aproveitar as sensações pelo que são, não pelo que imagina que poderiam ser», aconselha Cristina Mira Santos. Acredite: mil vezes pior do que não ser acrobata é terminar a exibição com aparato na cama. Das urgências.

FAZER QUANDO NÃO APETECE

Na vida, nunca é boa política dizer «sim» quando só nos apetece gritar «não». Muito menos no que se refere ao sexo, avisa a psicóloga e coacher sexual Cristina Mira Santos, para quem forçar o ato só nos fará associá-lo a desconforto e perda da ligação emocional. «É um ato a dois, pelo que têm de ser os dois a querer.» Muito diferente de se rezar para que o corpo responda em automático.