Metade das mulheres e um terço dos homens irão sofrer destas doenças

A previsão – alarmante, para dizer o mínimo – é de um grupo de investigadores holandeses: a continuarmos assim, muitos de nós estão em risco de desenvolver enfartes e doenças neurodegenerativas a dado momento da vida.

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

É uma espécie de Triângulo das Bermudas dos tempos modernos: vemos a saúde a desaparecer no ponto de confluência entre o sedentarismo, a obesidade e o envelhecimento da população. A tal ponto, alertam cientistas holandeses, que metade das mulheres e um terço dos homens correm o risco de desenvolver acidentes vasculares cerebrais ou doenças neurodegenerativas, como demência e Parkinson, a certa altura das suas vidas.

«Agrupámos estas doenças não só por serem frequentes, mas pelos indícios de que ocorrem muitas vezes em simultâneo, em resultado dos mesmos fatores», explica ao The Independent Arfan Ikram, professor de neuroepidemiologia no Centro Médico da Universidade Erasmus (em Roterdão, Holanda) e líder da pesquisa agora divulgada no Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry.

As mulheres são desproporcionalmente mais afetadas do que os homens: 36 por cento deles por comparação com 48 por cento de risco delas.

Durante quase três décadas, entre 1990 e 2016, os investigadores analisaram 12 mil pessoas aparentemente saudáveis, com mais de 45 anos, de que acabaram por morrer 5291. «Dessas, perto de 1500 foram diagnosticadas com demência – Alzheimer em 80 por cento dos casos –, 1285 tiveram um AVC e 263 desenvolveram Parkinson», precisa Ikram.

A isto acresce a evidência de que as mulheres são desproporcionalmente mais afetadas do que os homens: 36 por cento deles por comparação com 48 por cento de risco de elas virem a ser apanhadas por enfartes e doenças neurodegenerativas – um trio danoso que os cientistas calculam custar mais de dois por cento da produtividade económica anual do mundo inteiro.

«A diferença de género resulta de os homens serem substancialmente mais propensos do que as mulheres a sofrerem um AVC numa idade mais precoce, ao passo que elas contam com o dobro das probabilidades de serem diagnosticadas com enfartes e demência ao longo da vida», revela o principal autor do estudo, lembrando que eles também morrem primeiro, de um modo geral.

Prevenir ainda é a melhor forma de se reduzir a incidência de doenças neurológicas comuns.

O facto de os participantes que apresentaram uma das três condições terem hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes tipo 2 e arritmias cardíacas sugere à equipa que prevenir é a melhor forma de reduzir a incidência de doenças neurológicas comuns, pelo que lembramos aqui o que já escrevemos sobre a dieta que corta até 53 por cento o risco de Alzheimer em quem a cumpre escrupulosamente.

Todo o cuidado é pouco, insistem os investigadores, estimando que se fosse possível adiar entre um a três anos o início dos acidentes vasculares cerebrais, do Parkinson e da demência, o risco de se desenvolver estas condições seria reduzido em 20 por cento nas pessoas com 45 ou mais anos e em mais de 50 por cento na faixa etária acima dos 85 anos.

Há que fazer uma vida saudável ao máximo, aconselham. Comer bem. Evitar o tabaco tanto quanto possível. Sobretudo quando ainda só se fala dos males sem se saber nada da cura.