Mais de metade dos portugueses estão obesos (ou quase). E isso é um problema de saúde pública

Quais os custos de viver com obesidade? Que novos fármacos existem? Que tipos de tratamentos não cirúrgicos existem? Estas e outras questões vão estar em discussão no 22.º Congresso Português da Obesidade, com especialistas nacionais e internacionais, que se vai realizar entre 23 e 25 de novembro. A DN Life falou com Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade, entidade responsável pela organização do evento.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

Mais de 22 por cento dos portugueses estão obesos e 34,8 por cento está em situação de pré-obesidade. Ou seja, mais de metade dos portugueses estão obesos, ou quase. Os dados são do último estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto sobre esta matéria e são preocupantes.

Na mesma análise, pode ver-se que mulheres, idosos e indivíduos com menor escolaridade são os que apresentam maior prevalência de obesidade.

Sabe-se que, normalmente, associadas à obesidade estão também outras patologias, como a diabetes, doenças cardiovasculares, pressão arterial, apneia obstrutiva do sono ou até alguns tipos de cancro.

«Por vezes, os médicos e especialistas andam a fazer tratamentos de doenças consequentes da obesidade. O que é preciso é ir ao cerne da questão»

As preocupações em torno da obesidade estão, portanto, em constante análise. Entre esta sexta-feira e domingo, 23 a 25 de novembro, especialistas nacionais e internacionais vão abordar estas temáticas no 22.º Congresso Português da Obesidade, que vai realizar-se em Lisboa.

Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade, entidade responsável pela organização do evento, diz à DN Life que é preciso «tratar previamente esta doença, para que não evolua para formas mais graves».

«Por vezes, os médicos e especialistas andam a fazer tratamentos de doenças consequentes da obesidade. O que é preciso é ir ao cerne da questão», diz.

«A obesidade é uma doença crónica, complexa e multifatorial» e, por isso, são necessárias, para Paula Freitas, equipas multidisciplinares que consigam avaliar a situação de cada indivíduo. «São necessários especialistas em nutrição, em exercício físico, psiquiatras e psicólogos».

A União Europeia gasta 59 mil milhões de euros com despesas diretas e indiretas da obesidade

De acordo com a Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO), estima-se que a União Europeia gaste 59 mil milhões de euros, com despesas diretas – tratamento e acompanhamento – e indiretas – tratamentos de outras patologias associadas à doença.

Neste sentido, a organização dirigida por Paula Freitas irá desenvolver um estudo sobre o impacto económico da obesidade em Portugal, que irá iniciar já no próximo ano.

Outro dos objetivos da SPEO é apresentar o primeiro livro em Portugal de Recomendações para o Tratamento Não Cirúrgico da Obesidade.

«No fundo será um protocolo com algumas indicações no que diz respeito ao tratamento desta doença, nas mais variadas áreas: nutrição, desporto, farmacologia e psicologia», indica Paula Freitas.

«O principal objetivo passa pela criação de normas consensuais a nível nacional para o diagnóstico da doença, tratamento e multidisciplinaridade da equipa no acompanhamento dos doentes. É importante que os doentes sejam diagnosticados tendo em conta as suas particularidades e características individuais e as origens da doença».

Na fotogaleria em cima pode ver alguns dados sobre a obesidade.


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