A minha mãe dizia-me: «Nunca deves comparar-te com os que achas que são piores»

Ana Bacalhau e o conselho da mãe Arlete.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de Jorge Simão

Ana Bacalhau teve uma adolescência normal. A única preocupação que se lembra de dar aos pais era querer ser música. Ainda assim, adolescentes são adolescentes e numa das tentativas de negociação para uma saída à noite, a mãe Arlete disse-lhe uma coisa que lhe ficaria marcada.

«Tinha 14 ou 15 anos e estava a gabar-me das notas para tentar sair. E a minha mãe disse: “Nunca deves comparar-te com aqueles que achas que são piores. Compara-te com os que são melhores. Há sempre alguém melhor do que tu.”»

«Quando achamos que somos os maiores do mundo, devemos lembrar-nos que há sempre alguém que nos supera»

A cantora nunca esqueceu. «Quando achamos que somos os maiores do mundo, devemos lembrar-nos que há sempre alguém que nos supera. É uma constante lição de humildade.» E uma lição que levou para a vida profissional. «Quando começo a encher-me, a pensar que fiz uma coisa muito, muito bem, um concerto espetacular, lembro-me da minha mãe e de que é preciso ter calma porque há sempre quem cante melhor.»

No início da carreira, Ana não teve que se preocupar com comparações. Os Deolinda eram um projeto único no panorama musical português. «Não havia espaço para isso, estávamos a trilhar o nosso caminho. Agora, sim, estou numa fase em que estou à procura de mim mesma. Do meu lugar, sozinha, da minha voz. Mas tento sempre lembrar-me que a expressão artística é a expressão das características que nos tornam únicos. E lembro-me da mãe Arlete, sempre.»


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