Alimentação: sete mitos do consumo sustentável

A sustentabilidade é uma tendência e, pelo menos no plano das intenções, são muitos os que procuram comer e comprar com consciência. No entanto, não raras vezes, aderem à última descoberta fantástica sem perceber que impacto tem verdadeiramente.

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia iStock

Se está realmente empenhado em mudar os hábitos alimentares, é importante ler para além da publicidade e da propaganda. Nem tudo o que é verde, é bom. O jornal inglês The Guardian reuniu algumas propostas, da comida à arrumação, que pode facilmente integrar – ou eliminar – na sua vida, se quer contribuir para a sustentabilidade do planeta.

Leite de amêndoa – Até que ponto são mesmo amêndoas?

Filmes como o Cowspiracy abriram a discussão em relação à forma como os produtos lácteos são produzidos. Muitas pessoas estão a procurar alternativas a estes produtos, nomeadamente no leite. O leite de amêndoa, por exemplo, tem um efeito menor na produção de carbono por litro (360g) do que leite regular (1.67 kg). Por outro lado, as plantações de amêndoa estão a danificar a paisagem da Califórnia (onde está concentrada 80% da produção) e o custo de água é enorme. Para produzir um litro de leite de amêndoa são necessários 7,323 litros de água. São valores consideráveis.
Alternativa? Segundo a Sustainable Restaurant Association, a alternativa mais sustentável é o leite de aveia.

Afinal, podemos comer bacalhau

Há várias campanhas que ligam o botão de pânico para dizerem que o bacalhau está em perigo. Nem sempre é verdade. As quantidades de cardumes são dinâmicas e dependem da zona, não se pode acreditar em todas as campanhas alarmantes que nos chegam, diz a organização Marine Stewardship Council, que luta há 20 anos pela qualidade da vida marinha. Segundo o seu porta-voz, «há muita confusão em relação ao bacalhau. Por exemplo, nós certificamos imenso peixe a norte do Atlântico. Cerca de 91% da apanha da Noruega tem a nossa certificação».
Alternativa? Compre bacalhau certificado sem sentir-se culpado.

Bioplástico? Hum, talvez não.

Antes de mais, bioplásticos são todos os plásticos que são uma alternativa ao plástico tradicional (à base de petróleo). São de fontes renováveis de biomassa, como óleos e gorduras vegetais, amido de milho, etc… Alguns dos negócios de comida de rua trocaram os recipientes de plástico por estas opções mais «ecológicas», também para venderem a imagem de eco-friendly. A questão é que não é bem assim. As organizações Greenpeace e Friends of the Earth recusam esse carimbo verde (veja aqui) uma vez que menos de 40% do bioplástico é biodegradável. Ou seja, acaba por ser mais um plástico que contribuiu para a epidemia de poluição.
Alternativa? Quer comer bem, de forma sustentável e «on the go»? Ande sempre com os seus próprios utensílios. Não ocupam muito espaço e está a fazer a diferença.

Cada um com a sua garrafa de água

É provável que a tenha lá em casa e nem se lembre de a usar. Uma pesquisa inglesa da Keep Britain Tidy concluiu que 55% das pessoas já compraram a sua garrafa, mas apenas 36% chega a usá-la. Se pensar no impacto ambiental de continuar a comprar garrafas de plástico, vai pensar sempre em encher a garrafa e levar consigo.
Alternativa? Chaves, telefone, carteira e garrafa de água – torne-a parte da sua rotina.

Tofu é sempre a melhor opção? Nem por isso

Na América Latina, o fabrico de soja está a destruir a floresta do Brasil. Para além das quantidades desastrosas de dióxido de carbono que liberta. Se pensarmos no tofu, a pegada de carbono pode chegar a ser o dobro da criação de galinhas, por exemplo. Dá que pensar, não dá?
Alternativa? Escolha marcas que são conhecidas por terem fornecedores que se preocupam com a libertação de carbono. Por exempo, Taifun.

Comer da lata não é pecado

Por vezes, a comida pré-cozinhada é a solução para aqueles dias em que não nos apetece mesmo fazer o jantar. Não há problema nisso, desde que recicle as latas. Mesmo o microondas, se só vai aquecer uma porção, gasta menos energia do que ligar o forno. Às vezes, o mais simples é o melhor.
Alternativa? Redefina as suas compras, na medida em que pode poupar mais e desperdiçar menos se optar por alguns produtos enlatados.

Numa relação séria com o seu saco das compras

A cobrança dos sacos de plástico no supermercado tem tido resultados satisfatórios ao longo dos anos. Vê-se cada vez mais pessoas levarem o seu saco, a sua mochila e optarem por reutilizar em vez de estar sempre a gastar os tais 10 ou 12 cêntimos. No entanto, um estudo holandês diz que pode não ser bem assim. «As pessoas acabam por não reutilizar os sacos maiores na quantidade desejada. A ponto de o volume de sacos poder estar a aumentar.» Se pensarmos bem, todos acumulamos sacos de plásticos em casa, ainda que levemos um para o supermercado.
Alternativa? É necessário usarmos o mesmo saco oito vezes para este ter uma pegada de carbono menor do que um saco normal. Tenha o seu saco sempre à mão, mesmo que não tenha pensado ir às compras nesse dia, nunca se sabe.