Os miúdos sabem esperar? Cada vez mais…

Na sociedade do imediato, uma descoberta em contracorrente: as crianças são menos impulsivas agora do que nos anos 1960.

Texto de Marina Almeida

Foi colocado um doce à frente de crianças entre os três e os cinco anos. Podiam comê-lo logo ou esperar por outra guloseima: os miúdos esperaram.

«Apesar de vivermos na era da recompensa instantânea em que tudo parece estar disponível imediatamente através dos smartphones ou da internet, o nosso estudo sugere que as crianças podem esperar mais pela gratificação do que as crianças nos anos 1960 e 1980», diz Stephanie M. Carlson, psicóloga da Universidade do Minnesota, coordenadora do estudo da Associação Americana de Psicologia.

«Esta descoberta contrasta com a ideia assumida pelos adultos de que as crianças hoje em dia têm menos auto controlo do que as das gerações anteriores», acentuou a investigadora.

Na origem das conclusões, divulgadas no final de junho, está uma nova réplica do teste do marshmellow, que foi inicialmente desenvolvido no final dos anos 1960 pelo psicólogo norte-americano Walter Mischel, e retomado nos anos 1980 e 2000.

As crianças que participaram nos estudos em 2000 esperaram, em média, mais dois minutos do que as dos anos 1960 e mais um minuto do que as dos anos 1980.