Morrem três mulheres por mês vítimas de violência doméstica

Morrem três mulheres por mês vítimas de violência doméstica
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Continuam a morrer em casa, sujeitas a violência extrema, com recurso a arma branca. Em quase metade dos casos já existia uma denúncia de violência doméstica.

Paula Freitas Ferreira

Cinco mulheres por mês são vítimas de violência extrema – três acabam por morrer às mãos dos seus agressores. São estas as conclusões do último relatório do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA) elaborado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Continuam a morrer às mãos de companheiros e ex-companheiros, com recurso a arma branca. O observatório aponta que muitas delas sofreram “violência severa” – quatro mulheres foram queimadas vivas.

O OMA reflete os números negros traçados pelas notícias publicadas na imprensa nacional entre o dia 1 de janeiro e 12 de novembro de 2019, período durante o qual houve 28 femicídios – nas relações de intimidade e familiares, dois femicídios (em contextos que não os de intimidade) e ainda 27 tentativas de femicídio.

Verificamos, assim, que, em média, entre 2 a 3 mulheres veem as suas vidas atentadas nas suas relações de intimidade e/ou familiares por via da perpetração de formas de violência extrema.

“Se atendermos ao local onde foram praticados os crimes de tentativa de femicídio verificamos que a casa continua a ser o local mais perigoso para as mulheres”, lê-se ainda no relatório, que sublinha os vários casos noticiados de violência severa contra mulheres noutros locais, “nomeadamente na via pública, no local de trabalho da vítima e/ou num local isolado”.

Em 15 anos morreram 531 mulheres

Desde 2004, ano em que tiveram início as estatísticas que contabilizam as mortes de mulheres em contexto de violência doméstica, já foram registadas 531 mulheres mortas por alguém que conheciam intimamente. Outras 618 vítimas escaparam à morte tentada contra elas.

São mulheres com idades entre os 36 e os 50 anos – são 12 as mulheres dentro desta faixa etária assassinadas, seguidas imediatamente pelas mulheres mais idosas. Em 2019, foram mortas seis mulheres com mais de 65 anos.

É nos grandes centros urbanos que se assinalaram o maior número de vítimas mortais neste contexto – Lisboa (7 femicídios, 5 tentativas), Porto (3 femicídios, 9 tentativas) Braga e Setúbal (4 cada femicídios cada).

Alandroal, Braga, Oeiras e Seixal são os concelhos que apresentaram maior incidência de femicídios.

O OMA indica ainda que a maior parte das mortes acontece em contextos onde já existia violência doméstica conhecida por familiares, vizinhos, amigos e até de órgãos de policia criminal, “sem que tal conhecimento tenha sido suficiente para a prevenção da revitimização e consequente femicídio”, lê-se no relatório.

Em 12 dos casos em que a mulher morreu e em nove em que houve tentativa de homicídio já existia um processo crime anterior ao ato de violência.

Foram 45 os filhos que perderam as mães vítimas de femicídio – 16 eram menores.

O relatório do OMA conforma ainda ” tendência já registada em anos anteriores, verificamos que, no período em análise, as armas brancas continuam a ser os meios mais empregues/utilizados para a consumação da prática do femicídio na forma tentada, a que corresponde 48%
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Salienta-se ainda que a maioria foi alvo de formas de violência muito severas, como por exemplo, 7 (26%) mulheres foram atingidas com arma de fogo (duas delas encontram-se ainda em estado muito reservado), 4 foram imoladas por fogo, 1 foi alvo de tentativa de femicídio com golpe de machado na cabeça, entre outras.