Morreu Marieke Vervoort, a atleta que recorreu à eutanásia

A atleta de 40 anos, Marieke Vervoort, que sofria de uma grave doença degenerativa e que venceu quatro medalhas em Jogos Paralímpicos, decidiu recorrer à morte assistida.

Nuno Fernandes

Marieke Vervoort, 40 anos, a atleta paralímpica de nacionalidade belga que há uns anos anunciou que ia recorrer à eutanásia para acabar com o sofrimento, morreu nesta terça-feira, depois de ter colocado um ponto final nos tratamentos que recebia num hospital, informou a BBC.

Desde os 15 anos que Vervoort era atormentada por uma incurável doença degenerativa na coluna vertebral. Um problema que, entre outras consequências, lhe causava muitas dores e a impedia de dormir convenientemente. Porém, nem o facto de estar presa a uma cadeira de rodas desde os 20 anos a impediu de se tornar numa desportista de sucesso. As quatro medalhas que conquistou nos Jogos paralímpicos – ouro nos 100 metros e prata nos 200 metros nos Jogos de Londres 2012 e bronze e prata respetivamente nos Jogos do Brasil 2016 – foram a maior a prova disso.

A atleta belga já tinha na sua posse desde 2008 os papéis que lhe permitiam avançar para a morte assistida. “Não é certo que recorrerei à eutanásia logo após os Jogos do Rio. Vamos ver. Um jornalista escreveu um grande título sobre isso num jornal, mas eu ainda não decidi. Assinei os papéis em 2008 porque tenho muita dor e não quero viver com dor. Quero viver, mas bem. Após o Rio não vou pedir a eutanásia. Vivo dia a dia. Quando não aguentar mais, pedirei”, contou à Agência EFE em 2016, antes dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Na mesma altura, em declarações à BBC, a atleta tinha admitido que tinha ataques epiléticos e muitas dores: “Preciso de muitos analgésicos, valium e morfina. É um sossego. Sei que, quando não aguentar mais, tenho esses papéis.”

Há poucos dias, Marieke colocou um post no Instagram com uma foto sua e uma pequena legenda: “Não podemos esquecer as boas lembranças.”