Natal sem presentes: a tradição está a mudar?

São horas a fio perdidas nas filas das lojas e supermercados e dinheiro gasto desmedidamente em presentes para os filhos, tios, primos, pais, avós e amigos. Sem esquecer os bombons para a vizinha. As compras de Natal nem sempre são o plano mais atrativo e podem gerar bastante stress e cansaço. No entanto, há formas de contornar a situação.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia da Shutterstock

O dinheiro gasto em presentes, as visitas constantes ao shopping e a incerteza quanto a serem aqueles os presentes mais adequados para a família são tudo fatores de desgaste e stress na altura do Natal.

Heather Hund, de 35 anos, era um dos afetados pela loucura natalícia. Decidiu, em conjunto com a sua família, arranjar uma solução para evitar o stress provocado pela «procura desenfreada por presentes». Agora, cada elemento da família tem apenas uma pessoa a quem dar um presente, sendo a escolha feita aleatoriamente.

«No primeiro ano achei que ia ficar triste com isto, mas realmente não fiquei», conta Hund, salientando que os presentes passaram a ter mais significado desta forma.

O tempo que lhes sobra a todos no processo – poupado entre filas de espera, embrulhos e pesquisas pela melhor prenda – é passado em família, a cozinhar, a jogar às cartas ou apenas a desfrutar do sossego.

Mas Hund não é o único a encontrar alternativas para passar um Natal mais feliz. De acordo com uma pesquisa do site Bankrate, metade dos americanos dizem-se pressionados a gastar mais do que gostariam em presentes.

Raagini Appadurai, uma educadora de infância norte-americana, fez também um pacto com os seus familiares (as duas irmãs e os seus pais): não oferecer presentes este ano.

Quanto gastam os portugueses nas compras? O Observador Cetelem fez um balanço com a previsão deste ano: 479 euros.

«Quando eliminamos a compra de presentes e reduzimos os consumos colocados à mesa, somos obrigados a refletir sobre o que queremos para o Natal», começou por explicar.

«Depois de refletirmos, a resposta foi clara: nós próprios», acrescentou ainda Appadurai, referindo-se à união familiar, seja com presentes debaixo da árvore ou não.

O movimento Buy Nothing Christmas, criado para diminuir os hábitos consumistas desta altura, ganha cada vez mais adeptos nos EUA. Também a campanha do site New Dream, chamada Simplify the Holidays (Simplificar as Férias) pretende alertar para o consumismo da quadra, reforçando as campanhas de voluntariado ou donativos que podem ser entregues a associações.

Os gastos dos portugueses

Em Portugal, a tradição de entregar presentes a todos os familiares e amigos chegados mantém-se. E os gastos são significativos: de acordo com o Observador Cetelem, os portugueses vão gastar em média 479 euros em prendas neste Natal (mais 59 euros do que em 2017).

O mesmo estudo indica que será no Norte que os valores gastos serão mais altos, com uma média de 707 euros, enquanto no Centro e Sul rondará os 488 e os 417 euros, respetivamente.


Veja também:

Uma ceia de Natal com mais saúde à mesa