No Dia da Mulher não quero flores!

Foram conhecidos há dias os resultados chocantes de um estudo dinamizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento que envolveu 75 países, ou seja, cerca de 80% da população mundial. De acordo com este estudo, nove em cada dez homens e mulheres em todo o mundo têm alguma forma de preconceito contra a igualdade entre homens e mulheres. Nove em cada dez. Destes, cerca de um terço acha aceitável um homem bater numa mulher.

As Nações Unidas proclamaram o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher, em 1977. Mas já desde 1911 que o Dia da Mulher é celebrado em muitos países, como uma forma de reconhecer a importância e o contributo da mulher na sociedade. Passaram 109 anos desde que a data foi assinalada pela primeira vez. O que mudou desde então? O que falta ainda mudar?

A mutilação genital feminina, os casamentos precoces, a violência nas relações de namoro, a violência doméstica… passando ainda por uma cultura castradora que as confina à esfera doméstica e à educação dos filhos, reforçando a ideia de que “as mulheres são para ficar em casa e os homens são para trabalhar”

Continuamos a observar numerosas desigualdades na forma como as raparigas e as mulheres são tratadas, a diferentes níveis. Desde o acesso à educação até ao não acesso a cargos de maior poder político, passando por diversas formas de violência a que são sujeitas. A mutilação genital feminina, os casamentos precoces, a violência nas relações de namoro, a violência doméstica… passando ainda por uma cultura castradora que as confina à esfera doméstica e à educação dos filhos, reforçando a ideia de que “as mulheres são para ficar em casa e os homens são para trabalhar”. Assistimos, assim, a uma profunda desigualdade no modo como são educados os rapazes e as raparigas, remetendo estas últimas para uma posição de submissão face ao homem, exigindo-se recato e, necessariamente, uma maior limitação de oportunidades.

É urgente mudar esta realidade. Mas como se muda algo tão profundamente enraizado quando estamos perante um cenário negro em que 90% das pessoas ainda evidenciam preconceitos face à igualdade entre homens e mulheres?

O caminho para esta mudança envolve, necessariamente, medidas legislativas promotoras dessa mesma igualdade, protegendo as mulheres de desigualdades várias, quer a nível individual, quer familiar, social e profissional. No entanto, legislar não chega. É fundamental investir na educação das crianças e dos jovens, os adultos de amanhã.

Por isso, neste Dia da Mulher, quero tudo menos flores. Quero respeito, aceitação e igualdade. Quero e exijo ser tratada sem preconceitos e sem estereótipos de género.

Ajudá-los, desde pequenos, a interiorizar a ideia de que homens e mulheres têm os mesmos direitos e deveres e, por conseguinte, devem ter acesso às mesmas oportunidades. Ajudá-los a reconhecer todas e quaisquer formas de violência, ainda que estejam perante as chamadas “microviolências”, nem sempre entendidas pelas vítimas como agressões, o que facilita um processo de escalada e abre espaço para a emergência de comportamentos cada vez mais abusivos e lesivos. Ajudá-los a identificar e desconstruir crenças que legitimem uma forma desigual de olhar e tratar a mulher.

Por isso, neste Dia da Mulher, quero tudo menos flores. Quero respeito, aceitação e igualdade. Quero e exijo ser tratada sem preconceitos e sem estereótipos de género.

E pronto.