Esperança no tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica

Tratamento testado na Coreia do Sul pode atrasar a progressão da doença. Doentes foram acompanhados durante seis meses.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia iStock

Um novo tratamento testado na Coreia do Sul pode atrasar e tornar menos agressiva a Esclerose Lateral Amiotrófica. Foram administradas células estaminais mesenquimais (MSC) na medula óssea em doentes com ELA, sendo que, nos primeiros seis meses, verificou-se uma redução da inflamação e da progressão e gravidade da doença.

De acordo com o comunicado da Crioestaminal, banco de criopreservação português, «o tratamento consistiu em duas injeções de MSC da medula óssea dos próprios doentes com ELA, com um mês de intervalo».

Ensaio clínico confirmou segurança e tolerabilidade do tratamento

Numa primeira fase do ensaio clínico ficou evidente a segurança e tolerabilidade do tratamento. Na segunda fase, fez-se a avaliação da eficácia do mesmo, tendo os doentes sido seguidos durante seis meses após a primeira injeção.

«O número reduzido de injeções de MSC (apenas duas) e o curto tempo de seguimento dos doentes (apenas seis meses) constituem limitações deste estudo», isto porque as células estaminais mesenquimais não persistem no organismo «por longos períodos», podendo dissipar-se ao longo do tempo.

«Uma forma de ultrapassar este problema pode ser através da realização de injeções adicionais de MSC após os primeiros seis meses, que poderão melhorar a eficácia do tratamento a longo prazo», lê-se ainda no comunicado.

«É urgente desenvolver novas estratégias terapêuticas que curem ou, pelo menos, travem a progressão da doença»

Os especialistas estão agora a preparar a terceira fase do ensaio clínico para avaliar a segurança, eficácia e benefícios a longo prazo das infusões adicionais de MSC. Desta vez, o tratamento será aplicado a um maior número de doentes que vão também ser seguidos durante um período mais longo.

Cátia Dourado, bioquímica da Crioestaminal, considera que é «urgente desenvolver novas estratégias terapêuticas que curem ou, pelo menos, travem a progressão da doença».

A Esclerose Lateral Amiotrófica afeta cerca de 800 pessoas em Portugal, na sua maioria entre os 40 e os 70 anos de idade.

A especialista frisou ainda, em comunicado, que as células estaminais mesenquimais «têm suscitado grande interesse devido às suas propriedades anti-inflamatórias, neuroprotetoras e à capacidade de libertarem moléculas que apoiam o crescimento, a sobrevivência e a diferenciação dos neurónios».

Recorde-se que a Esclerose Lateral Amiotrófica afeta cerca de 800 pessoas em Portugal, na sua maioria entre os 40 e os 70 anos de idade. A doença neurodegenerativa caracteriza-se essencialmente pela perda progressiva de neurónios que conduzem informação do cérebro para os músculos.

Normalmente, os doentes ficam com os músculos atrofiados, enfraquecidos, tornando mais difíceis tarefas como andar, falar, mastigar ou engolir.


Esclerose Lateral Amiotrófica: «Não vale a pena antecipar o futuro»


A DN Life, a propósito do dia Mundial da ELA, assinalado a 21 de junho, entrevistou Pedro Souto, doente e presidente da APELA (Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica). Recorde aqui o artigo com o testemunho de Pedro, diagnosticado em fevereiro de 2015.