Cancro: não alimente esta doença

A naturopata Cátia Antunes escreveu um livro sobre os malefícios do estilo de vida moderno. A alimentação de hoje em dia, assegura, pode ser uma das principais causas do cancro. Mas, afinal, qual o impacto da alimentação na prevenção da doença?

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Shutterstock

Em 1900, a população consumia 92 por cento de alimentos naturais e oito por cento de alimentos manipulados. Em 1950, os alimentos manipulados e refinados passaram para os 22 por cento. Em 2003, este número subiu para 75 por cento e, em 2008, já ultrapassara os 80 por cento.

Estes são dados constantes do livro Fast Food Fast life Fast Cancer (ed. Chá das Cinco), da naturopata Cátia Antunes, que acredita que a mudança na industrialização alimentar pode estar intimamente ligada ao declínio da saúde da sociedade.

«Atendendo a que os alimentos manipulados e refinados são os grandes causadores dos desequilíbrios do nosso meio interno que nos levam consequentemente a adoecer, não é de estranhar o porquê de tantos novos casos de cancro», defende a especialista.

«NO CURSO DE MEDICINA, AS DISCIPLINAS DE ALIMENTAÇÃO SÃO PRATICAMENTE INEXISTENTES, SENDO ESTE DIRECIONADO PARA A PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS QUÍMICOS DE SÍNTESE

Para Cátia Antunes, a alimentação «não só pode prevenir que adoeça de cancro, como também pode ajudar a combatê-lo caso este se tenha instalado no seu organismo».

Mas quais são efetivamente os alimentos que podem contribuir para o aparecimento desta doença? Essencialmente, todos os que «acidificam o meio interno, potenciam a inflamação dos tecidos e órgãos, comprometem o sistema imunitário e intoxicam o fígado».

As características acima descritas podem encontrar-se em vários tipos de alimentos, como fast food, laticínios, carnes vermelhas e processadas, açúcar branco, álcool, farinhas brancas e refinadas, café, fritos, pesticidas e herbicidas, metais pesados e aditivos alimentares.

Para a especialista em naturopatia é certo que a alimentação pode ajudar na prevenção e cura do cancro, mas tem consciência de que esta não é uma ideia consensual, nomeadamente para a medicina convencional.

«Viver em modo fast life, como a maioria das pessoas hoje vive, leva a um adormecimento da consciência»

«No curso de Medicina, as disciplinas de alimentação são praticamente inexistentes, sendo este totalmente direcionado para a prescrição de medicamentos químicos de síntese. Forma-se portanto médicos especialistas não conhecedores da importância absoluta que a alimentação tem na saúde humana e em como esta pode efetivamente prevenir e tratar um sem número de doenças, inclusive a cancerígena», pode ler-se no livro.

A mudança dos hábitos alimentares, explica a naturopata, é difícil, e as desculpas são variadas.

«Viver em modo fast life, como a maioria das pessoas hoje vive, leva a um adormecimento da consciência. Sabe-se mas não se pensa. Vive-se a vida a correr e o que mais interessa é o prazer imediato. Comem-se alimentos pouco saudáveis para compensar o stress, ou para festejar, ou porque é fim de semana, ou porque se está de férias, ou porque é Natal ou porque é o aniversário do colega que levou bolo para o trabalho. E é por todos estes motivos que se vão ingerindo os alimentos que contribuem para o aparecimento do cancro», escreve a autora.

Para ser ainda mais precisa na sua análise, Cátia Antunes publica no livro estimativas de números anuais de mortes por cancro atribuídas aos fatores de risco. Entre os valores mais elevados encontra-se os agentes infecciosos (1.300.000), o tabaco (1.000.000) e as bebidas alcoólicas (600.000).

A especialista da Cascais Clinic Center, que inclui no seu livro várias receitas para substituir alimentos ou prevenir doenças cancerígenas, resume como deve ser a alimentação anticancro. Veja na fotogaleria as principais dicas da naturopata.

«Aprenda a evitar os malefícios do estilo de vida moderno». Livro de Cátia Antunes (ed. Chá das Cinco)