É isto o pior que pode fazer pela sua saúde, diz a ciência

Pior ainda do que fatores de risco graves como fumar, ter diabetes e doença cardíaca, revela um novo estudo. Por aqui se vê como não fazer exercício nos rouba tempo de vida.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

Que o exercício faz maravilhas pelo corpo e nos dá vida longa estamos todos fartos de saber. O que ainda não se sabia preto no branco – pelo menos não até à data de publicação deste novo estudo no jornal especializado JAMA – é que não fazer exercício nenhum é mais nefasto para a saúde do que ser hipertenso, diabético ou fumador regular.

«Ser incapaz de correr numa passadeira ou realizar um exercício de esforço é o pior prognóstico que alguém pode ter», afirma o cardiologista Wael Jaber, médico da Clínica Cleveland, EUA, e um dos principais autores desta investigação, que considera «extremamente surpreendente» pelos resultados inéditos – e categóricos.

Pessoas que não se saem bem no teste da passadeira correm duas vezes maior risco de vida do que doentes que fazem diálise por falha nos rins.

«Estávamos todos cientes de que levar um estilo de vida sedentário e ser pouco ativo acarreta algum perigo. Porém, fiquei espantado com o facto de ele ultrapassar, inclusive, fatores de risco tão significativos como fumar, ter diabetes ou até doenças em fase terminal», explicou à CNN.

Na prática, a equipa analisou a performance física de 122 mil pacientes que frequentaram a Clínica Cleveland entre 1 de janeiro de 1991 e 31 de dezembro de 2014 – com 12 por cento dos participantes a deixarem muito a desejar em matéria de exercício. Conclusões?

Risco de morte nos sedentários é cerca de três vezes mais elevado do que nos fumadores.

«Pessoas que não se saem bem no teste da passadeira correm duas vezes maior risco de vida do que os doentes que fazem diálise devido a falha nos rins», sublinha o investigador, acrescentando ainda que o risco de morte é 500 por cento mais elevado nos sedentários, quando comparados com os enérgicos de topo, «além de cerca de três vezes mais elevado do que nos fumadores».

O que nos leva à ideia preconcebida (geralmente aceite) de que exercício em excesso também é prejudicial à saúde – um mito que, segundo Jaber, importa rebater agora que se provou que o fitness é sinónimo de uma vida mais longa, quer se tenha 40 ou 80 anos, sem limite quanto aos benefícios que o exercício aeróbico nos traz.

Pessoas mais ativas apresentam também as taxas de mortalidade mais baixas.

«Não existe um nível de exercício físico e boa forma a partir do qual o praticante fique exposto a riscos», garante o cardiologista, sustentado pelas evidências de que os mais ativos apresentam igualmente as taxas de mortalidade mais baixas. Há que treinar, diz. Faz bem a tudo. Porque é que ainda está aí sentado a ler isto?

Enquanto digere melhor o artigo, fique a conhecer as desculpas mais frequentes que damos para não nos mexermos. E, claro, siga as dicas que lhe deixamos na fotogaleria sobre como vencê-las.