O que é que todos nós fazemos depois do sexo?

É a questão que se coloca quando o ato propriamente dito terminou e os parceiros não sabem muito bem se vão à sua vida ou ficam ali mais um pouco, a desfrutar da companhia do outro só porque sim. Há mais vida para além do sexo.

Texto de Ana Pago | Fotografia da Shutterstock

A parte quente do sexo terminou agora mesmo. Há lençóis espalhados pelo chão. Roupa espalhada. E agora? Daria um rim para poder ficar agarradinho ao outro para sempre ou levanta-se a correr à procura das cuecas mal acaba? Afinal, o que é que acontece depois do sexo?

A isto deu resposta um estudo da especialista em pesquisa de marketing OnePoll para a Pure Romance – empresa norte-americana que há mais de 25 anos vende produtos íntimos e educação sexual em casa, num passa-a-palavra entre amigos –, após sondar duas mil pessoas no sentido de perceber o que fazem na intimidade quando o sexo acaba.

E a atividade vencedora, para a maioria de nós, é fazer conchinha, também conhecida como cuddling.

E a atividade vencedora para a maioria de nós é… fazer conchinha, pois claro, também conhecida como cuddling, de que são adeptos 74 por cento dos inquiridos. É especialmente útil para prolongar o sentimento de proximidade que tende a instalar-se entre o casal durante o ato.

«Na Pure Romance recomendamos que se use esse tempo do pós-sexo para continuar a ligar-se ao parceiro», elogiou a fundadora da empresa, Patty Brisben, conversando sobre os resultados com a revista feminina online Bustle.

Ver um filme ou um pouco de TV para descontrair é a escolha de metade dos inquiridos.

Verdadeiramente surpreendentes, segundo ela, só mesmo algumas das respostas que se seguiram – como esta de cerca de metade dos entrevistados, que dizem gostar de ir ver um filme ou um pouco de televisão mal se levantam para ajudar a descomprimir.

Em terceiro lugar na lista de afazeres pós-sexo vem, para 48 por cento dos entrevistados, beber água ou outra bebida refrescante que permita moderar um pouco os calores do sexo (um sinal de que o exercício foi vigoroso, acrescentamos nós).

Segue-se vestir, algo que faz sentido acontecer quando houve roupa a voar em todas as direções momentos antes, mas não tanto se os apaixonados têm tanta pressa em cobrir-se que se marimbam para o cuddling, as séries da Netflix e a hidratação.

E que dizer da escolha de ficarem ali os dois simplesmente deitados, sem fazer nada, a pensarem na vida? Sabe como é: há alturas em que o sexo é tão bom que o cérebro pára. Só apetece estar em silêncio, a curtir o momento. Antes assim do que começar logo a dizer que ainda tem de ir pôr louça na máquina ou fazer uma panela de sopa para o dia seguinte.

Em antepenúltimo lugar na lista vem a tarefa necessária (e bastante romântica) de preparar uma refeição a dois.

Lógico que também há quem aproveite esses minutos mágicos para reforçar a ligação ao parceiro (como Patty Brisben sugeria há pouco) e conversar. «Se é para falar, então que falem de tópicos estimulantes que reforcem os afetos e melhorem a intimidade do casal», concorda a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos, para quem todas as táticas são válidas – antes e depois do sexo – desde que ambos se sintam ativados.

Em antepenúltimo lugar na lista vem a tarefa necessária, e até bastante romântica, de ir para a cozinha preparar comida: com tanto contorcionismo sob o edredão é natural que a fome aperte. Mais, diz Cristina Mira Santos: a alimentação tem uma carga erótica incontestável e um pouco de loucura saudável nunca fez mal a ninguém.

Ou então mandar vir comida de fora, bem mais prático: muitos casais preferem encomendar a terem, eles próprios, de ir para a cozinha.

«Prepare uma refeição que possam comer com as mãos como sushi, morangos, frutos secos, queijo aos quadrados, gelado, um bom vinho», propõe a psicóloga. Se usar o parceiro como prato, quem sabe se não haverá um encore? Ou então copie alguns casais – é a penúltima coisa que mais se faz no pós-sexo – e mande vir comida de fora: ninguém rejeita uma pizza de cogumelos e ananás trazida a casa, sobretudo por não nos obrigar a despir o pijama.

Ao que se segue a última atividade, esta sim surpreendente ao máximo: 14 por cento dos casais agarram-se ao telefone para checar as redes sociais, que mais? É uma escolha muito pouco romântica (ao contrário de cozinhar), mas igualmente imperativa quando o outro exigiu a nossa presença em exclusivo nos últimos 20 minutos (imagine-se só os likes que perdemos entretanto). Se calhar para a próxima, pensando bem, o melhor é ficar por uma rapidinha.