Vamos olhar a alimentação como um todo

O Dia Mundial da Alimentação é reconhecido como um importante momento para consciencializar e alertar a opinião pública para as questões relacionadas com a nutrição e a alimentação que afetam os países.

A escolha do dia 16 de outubro para esta celebração prende-se com a data da fundação da FAO (Food and Agriculture Organization), em 1945, organização que tem como objetivo maior a garantia da segurança alimentar para todos e o acesso regular a alimentos suficientes para ter uma vida ativa e saudável.

Vivemos num mundo com mais de 600 milhões de pessoas com obesidade e 1,3 mil milhões com excesso de peso, mas paradoxalmente coexistem mais de 800 milhões de pessoas que passam fome e dois milhões com deficiência de micronutrientes.

O mundo pode combater a fome e o excesso alimentar se unir forças entre nações, continentes, setores e profissões e se desencadearmos ações com base na evidência.

Para aumentar esta consciência, o tema escolhido pela FAO para a comemoração do Dia Mundial da Alimentar, deste ano, é “Fome Zero”, trazendo para a discussão global reflexões sobre a problemática da fome e da insegurança alimentar que afeta milhões de pessoas em todo o Mundo. «As nossas ações são o nosso futuro» é o mote escolhido pela FAO, com vista a atingir «Fome Zero até 2030».

Após um período de declínio, em 2017 registou-se um aumento de situações de fome e de desnutrição a nível global, como resultado de vários fatores, dos quais se destacam os conflitos, as alterações climatéricas, a desaceleração da economia e as desigualdades.

Na verdade, sabemos que as situações de fome resultam em larga medida de dificuldades no acesso a alimentos.

Pelo que urge assegurar o acesso a alimentos suficientes e de qualidade que permitam uma alimentação adequada promotora da saúde, principalmente nos grupos mais vulneráveis. A criação de políticas intersetoriais de promoção da saúde, com envolvimento da agricultura, das pescas, da economia, da saúde, da educação, do setor social e das finanças deve ser uma prioridade, uma vez que condicionam direta ou indiretamente a produção, a distribuição, o acesso e o consumo de alimentos.

O ambicioso objetivo da FAO #FomeZero até 2030, requer uma gestão sustentável da agricultura e dos sistemas alimentares, com vista a uma vida mais saudável. Esta é a segunda meta para o Desenvolvimento Sustentável, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas.

Também Portugal deverá ter este desígnio, uma vez que os dados do último inquérito alimentar nacional revelam que 10,1% das famílias portuguesas experimentaram insegurança alimentar, isto é, tiveram dificuldade de fornecer alimentos suficientes a toda a família, devido à falta de recursos financeiros. E, destas famílias, 2,6% indicaram experimentar insegurança alimentar moderada ou grave, referindo alteração dos seus hábitos alimentares e a redução do consumo de alimentos, em muitos casos alimentando-se com poucos alimentos ou «sentiram fome, mas não comeram por falta de dinheiro para adquirir alimentos».

Enquanto continuarmos a considerar a alimentação como um problema individual e não uma responsabilidade coletiva não concretizaremos a garantia do Direito Humano a uma Alimentação Adequada.

Alexandra Bento é nutricionista e bastonária da Ordem dos Nutricionistas desde 2012. Doutorada em Ciências do Consumo Alimentar e Mestre em Inovação Alimentar e Saúde, é Professora na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Foi durante mais de uma década presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Em Comer Bem é o Melhor Remédio [ed. Porto Editora], da sua autoria, mostra a importância de uma alimentação saudável, mitos e dicas que deve seguir e ainda mais de 40 receitas (sem sal) para toda a família, elaboradas em parceria com o chef Hélio Loureiro.


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