Os 10 maiores erros que cometemos nos relacionamentos

Por muito que digam que somos animais sociais, darmo-nos com familiares, amigos e amores é matéria para uma vida. E nem sempre a dominamos (à matéria). Estes são os erros que cometemos mais frequentemente.

Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

COBRANÇAS

Costumam começar com um medo obsessivo de perder o outro, de sermos rejeitados, de não sermos amados: se pomos tudo de nós naquele vínculo afetivo, como podem não nos retribuir na mesma moeda? A questão é justamente que não nos cabe impor o que quer que seja a alguém que é suposto amarmos com desinteresse. «Gostar não é exigir nem acusar. É confiança», alerta Margarida Vieitez, mediadora familiar e de conflitos. Se necessita de cobrar alguma coisa na relação, significa que valores importantes estão a falhar.

ALIMENTAR MÁGOAS

Primeiro vem a parte de nos sentirmos magoados com algo que o outro fez, a adoecer-nos lentamente o corpo e a mente. Depois vamo-nos afastando. E calando o que sentimos. E apegando-nos a novas mágoas, num círculo vicioso que se torna cada vez mais corrosivo e difícil de quebrar. Antes que a situação seja irremediável, vale a pena ouvir o que o outro tem para dizer. O que nos leva de imediato ao próximo erro.

COMUNICAÇÃO DEFEITUOSA

«Em pleno século XXI, há pessoas que não dizem o que pensam e sentem àqueles que mais amam, nem lhes perguntam a eles o que lhes vai na alma. Isto é grave», aponta Margarida Vieitez, aconselhando franqueza e serenidade em qualquer situação. À falta de uma bola de cristal que nos diga porque o outro agiu de determinada maneira, o melhor é não nos deitarmos a adivinhar. «Comunicar faz milagres, mesmo que por vezes seja doloroso», diz a especialista em conflitos.

CRÍTICAS EXCESSIVAS

Não, ninguém merece sujeitar-se a nada que o faça sofrer. «E a verdade é que poucas coisas na vida nos abalam tanto como as críticas de alguém que nos é próximo, por muito construtivas que sejam», considera Margarida Vieitez, enumerando os sentimentos associados de tristeza, reprovação, até de castigo. Sabe aquela máxima de não fazer aos outros o que não gosta que lhe façam a si? Não queira ser essa pessoa que critica constantemente os outros.

VINGANÇA

Pior ainda é o sentimento mesquinho, inútil e bastante comum de querer prejudicar alguém como paga por nos ter causado dano (como se isso alguma vez fosse solução). Segundo a mediadora familiar Margarida Vieitez, a sociedade atual «promove comportamentos narcisistas doentios e alimenta egos desmedidos» que não trazem nada de bom a ninguém, pelo contrário: olho por olho e o mundo acaba cego.

MENTIRAS

Pode até ser uma «mentirinha inocente» aquela que acabou de contar, repetindo as vezes que quiser que só não disse a verdade por não querer provocar sofrimento no outro. Mas e se lhe mentissem a si, como se sentiria? Ou se daí resultassem consequências desastrosas? Margarida Vieitez é incisiva neste ponto: «Na dúvida, assuma sempre a sua parte de responsabilidade quando as coisas dão para o torto.»

POUCA EMPATIA

Há quanto tempo não mostra ao outro que está ali? A escutar, de facto, o que quer que ele tenha para dizer? A permitir-lhe extravasar as suas emoções sem o julgar? «Saber pôr-se na pele das pessoas é fundamental para entender aquilo que as move», resume a especialista em relações interpessoais, considerando haver muito pouco que a empatia não possa fazer. Não há tristeza que resista a este amor pelo próximo.

ORGULHO

É considerado um dos sete pecados capitais – e com razão, dado ser muitas vezes o princípio do fim dos relacionamentos ao impedir alguém de admitir os próprios erros, medos, anseios, vulnerabilidades e, muito importante, pedir desculpas ao outro e perdoar-lhe as fraquezas que todos temos. Se o coração lhe está a pedir por tudo que dê o braço a torcer… dê.

EGOÍSMO

De novo, Margarida Vieitez não tem dúvidas em apontá-lo como o culpado da maior parte dos problemas atuais em matéria de relações, com muita gente a achar que os outros têm de ser como eles, pensar e desejar o mesmo que eles próprios desejam e até fazer tudo da forma que eles fazem. Ninguém aguenta tanta estreiteza de vistas.

FALTA DE COMPROMISSO

E que dizer da dificuldade em comprometer-se a sério com alguém, com tudo o que isso implica em termos de responsabilidade e lealdade? «Ter medo do compromisso também leva muita gente a fugir, deixando os outros sem saberem o que fizeram de errado», confirma a terapeuta, habituada a ver de tudo na sua prática de mediação familiar. Por estranho que possa parecer, há quem encare a proximidade emocional como território do mais perigoso que existe.