Beijos: fazem sofrer do coração ou das pernas?

A 15 de fevereiro de 2013, Ekkachai Tiranarate a mulher, Laksana, devem ter-se deitado cansados e com dores no rosto. Talvez tivessem ainda os músculos da face doridos e os lábios dormentes e é possível que se sentissem tontos e fracos, fruto da desidratação. Não é de espantar que sentissem uma forte pressão lombar e tivessem as pernas inchadas.

Ao fim de 58 horas, 35 minutos e 28 segundos, o casal tailandês tinha batido o recorde mundial de beijo mais longo. Voltavam a deter um título que lhes tinha sido retirado no ano anterior, quando os compatriotas Nontawat Jaroengsornsinpose e Thanakorn Sittiamthong conseguiram manter os lábios colados durante cinquenta horas seguidas, ultrapassando em quatro horas a marca dos primeiros.

Antes deles, alemães, britânicos, italianos e israelitas já tinham conquistado o título de longa osculização com presença no Guinness World Records. Em 2010, aliás, o beijo (e recorde) de 33 horas dos adolescentes norte-americanos Matt Daley e Bobby Canciello deu até origem a Two Boys Kissing, o livro que David Levithan lançou em 2013 e que contava a história de dois rapazes desidratados e com privação de sono a tentar bater um recorde, enquanto se tornavam o ponto central na vida de um grupo de jovens perdidos entre relações esporádicas e a descoberta da orientação sexual.

Mandam as regras que, enquanto em prova devidamente vigiada, os concorrentes ao beijo mais longo devem estar sempre de pé e não podem apoiar-se em pessoas ou objetos, com os lábios sempre colados e sempre acordados.

E não podem usar fraldas. Não podem beber nada durante a prova e têm de ingerir muitos líquidos – mas depois não podem deitá-los fora.

Ninguém devia sofrer para beijar. Sofrer do coração por amor não correspondido e por não conseguirmos ter um beijo de quem amamos é uma coisa. Sofrer por dores nas costas ou nas pernas por beijar de mais é outra. Com uma crescemos. Com a outra, nem por isso…